Preço: 40,00 €
Sinopse:
Sinopse:
Sinopse: Santo António Jornada do Centenário é uma obra de cariz biográfico e histórico escrita pelo poeta e escritor português Afonso Lopes Vieira, publicada originalmente em 1932.
A obra foi lançada no contexto
das comemorações do VII Centenário da morte de Santo António.
Conteúdo: O livro é descrito como
um repositório de elementos sobre a vida, a época e o culto de Santo António,
contendo documentos transcritos e citações de fontes nacionais e estrangeiras.
Reflete o patriotismo e o estilo vernáculo característicos de Afonso Lopes
Vieira.
O Autor: Afonso Lopes Vieira (1878–1946) foi um dos expoentes do movimento da Renascença Portuguesa. Embora seja muito conhecido pela sua poesia, dedicou grande parte da sua carreira a estudar e promover os clássicos e a identidade portuguesa (como Gil Vicente e Camões).
Sinopse:
Sinopse: Vida Errada O Romance de Coimbra, é uma obra do médico e escritor Fernando da Silva Correia (1893–1966), publicada originalmente em 1933 pela Coimbra Editora.
O livro é descrito como uma "crónica da vida académica
coimbrã", misturando elementos de ficção com registos históricos da cidade
e dos seus estudantes entre os anos de 1903 e 1907.
A obra explora também os costumes, tradições e a cultura local de Coimbra através da personagem Luís Augusto, servindo como um retrato detalhado da vivência universitária da época.
O próprio autor definiu o livro como um híbrido: "Como crónica, será talvez excessivamente romântica; como romance, talvez crónica de mais...".
Sinopse: O Volume II da obra seminal Etnografia Portuguesa, de José Leite de Vasconcelos, publicado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), constitui uma peça fundamental para o estudo da identidade e do território português.
Esta edição específica de 1980 é uma reimpressão
fac-similada da obra original, mantendo o rigor científico e a estrutura
enciclopédica desenhada pelo autor.
Conteúdo e Estrutura do Volume II: Este volume foca-se na relação entre o povo e o espaço geográfico, sendo o segundo tomo do "Livro I — A Terra de Portugal":
Descrição Física: Análise detalhada do território
continental e das ilhas adjacentes (Açores e Madeira).
Recursos Naturais: Observações sobre a flora, fauna, aves e
peixes, fundamentais para compreender a economia e subsistência tradicional.
História do Território: Exploração das origens e evolução do
espaço geográfico português.
Povoamento: Estudo sobre o povoamento propriamente dito e as
povoações que surgiram ou se desenvolveram ao longo do período português.
O Canto III sugere a obra completa de 10 volumes, servindo como o inventário mais ambicioso alguma vez realizado sobre as tradições, crenças e modos de vida do povo português.
Há livros que não escolhemos; são eles que nos encontram.
Entre as estantes do Canto III Livraria Alfarrabista,
o tempo embrandece. Acreditamos que um livro lido é uma história que se
multiplica e que cada página por vezes já amarelada guarda não só o texto, mas
a alma de quem a folheou antes de nós.
Mais do que uma livraria alfarrabista, queremos ser o seu refúgio de cultura. No nosso blogue, partilhamos curiosidades literárias, resgato de autores esquecidos e reflexões sobre a arte e o pensamento que nos moldam.
Siga o nosso blogue e entre nos bastidores e no encanto do
mundo dos livros usados, é uma honra para o Canto III que siga o nosso blogue. Porque um livro nunca se fecha; apenas espera pelo
próximo olhar.
Promovido pela Fundação Livraria Lello, com o apoio da Câmara Municipal do Porto, de 24 a 30 de junho de 2026, os principais espaços públicos da cidade — das praças e jardins às bibliotecas e à própria Câmara Municipal — acolhem o BABELL. Um evento único, uma celebração à cultura, através de conversas, exposições, concertos e poesia na rua, ...
Um livro = Um bilhete
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O festival contará com nomes de prestígio internacional e nacional, incluindo:
Autores, Pensadores, Músicos, etc...: Lídia Jorge, Salman Rushdie, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Javier Cercas, Alberto Manguel, Olga Tokarczuk, Margaret Atwood e o filósofo Byung-Chul Han,
Música: Concertos de GNR e Pedro Abrunhosa.
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Sinopse: "O Montador Electricista" é uma obra técnica histórica que integra a famosa coleção "Biblioteca de Ensino Técnico Sem Professor".
Detalhes da Obra
Conteúdo: O livro foi concebido como um guia de
auto-aprendizagem (daí o subtítulo "sem professor"), contendo cerca
de 249 páginas ilustradas que ensinam os fundamentos e as práticas da profissão
de eletricista da época.
Contexto: Fazia parte de uma série de manuais práticos
destinados à formação técnica rápida de operários e entusiastas no início do
século XX em Portugal.
Sinopse: O Livro de Curso dos Alunos da Escola do Magistério Primário do Porto é uma publicação de natureza comemorativa e documental que regista a passagem dos estudantes finalistas por esta instituição de formação de professores.
Aqui estão os detalhes principais sobre este tipo de obra, com base em exemplares históricos conhecidos (como o de 1954-1955):
Conteúdo e Estrutura
Caricaturas e Retratos: Uma das características mais
marcantes é a inclusão de dezenas de caricaturas dos alunos finalistas, muitas
vezes assinadas por artistas conhecidos da época, como Cruz Caldas.
Dedicatórias e Mensagens: O livro servia como um espaço de
partilha, contendo mensagens de gratidão aos mestres e dedicatórias pessoais
entre os colegas.
Registo Histórico: Documenta a identidade e a cultura da
escola, que foi a sucessora da antiga Escola Normal do Porto e cujas heranças
são hoje preservadas pela Escola Superior de Educação do Porto.
Valor de Colecionismo
Estes livros são considerados itens de colecionador e fontes importantes para a história da educação no Porto.
A Escola do Magistério Primário do Porto foi fundamental na
preparação de gerações de docentes em Portugal durante o século XX. Atualmente,
os antigos alunos mantêm a memória da instituição viva através de grupos de
convívio e partilha de memórias digitais.
Sinopse: Estudos em Três Línguas é uma obra da autoria de Elza Paxeco (posteriormente Elza Paxeco Machado), publicada originalmente em Lisboa pela editora Pro Domo.
Aqui estão os detalhes principais sobre a obra e a autora:
Publicação: Embora a primeira edição indique frequentemente
1945, o registo bibliográfico aponta para 1947 como o ano efetivo de
lançamento.
Conteúdo: A obra reflete a formação da autora em Filologia
Românica e Germânica, reunindo ensaios e investigações académicas em diferentes
idiomas.
Sobre a Autora: Elza Paxeco (1912–1989) foi uma ilustre
filóloga e investigadora luso-brasileira, notável por ser a primeira mulher a
doutorar-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Colaborou
extensamente com o seu marido, o lexicógrafo José Pedro Machado, em obras
fundamentais como o Cancioneiro da Biblioteca Nacional.
Sinopse: O Palito Métrico é uma das obras fundadoras da Praxe Académica da Universidade de Coimbra.
Publicada originalmente em 1746, a obra é uma coletânea de poemas, cartas e recomendações escrita em latim macarrónico (uma mistura humorística de latim e português). O texto foi assinado pelo pseudónimo António Duarte Ferrão, atribuído ao padre João da Silva Rebello.
Origem do Nome: O título remete para uma antiga praxe que obrigava os caloiros a medirem distâncias específicas (como o comprimento de uma rua) utilizando apenas um palito.
Função: Serviu durante décadas como um "manual de
acolhimento" ou breviário, ensinando os novos estudantes (caloiros) a
lidar com as "armadilhas" da vida académica e as hierarquias da
cidade.
Legado: É considerado o precursor dos modernos Códigos de
Praxe, documentando os costumes e a linguagem satírica dos estudantes dos
séculos XVIII e XIX.
A obra é famosa pelo seu subtítulo longo e irónico:
"Palito Métrico – Lavrado no Lorvão da Pachorra, com a ferramenta da
Cachimónia...".
Conteúdo Principal: Reúne textos sobre temas variados, tais como "Toiradas em Portugal", "Portugal nos Mares", e ensaios biográficos sobre personalidades como a Duquesa de Palmela, o Conde de Ficalho, Sousa Martins e o Duque de Loulé.
Contexto do Autor: O Conde de Sabugosa foi uma figura
proeminente da monarquia portuguesa, diplomata, e membro do influente grupo
literário Vencidos da Vida.
O XXIII Encontro Nacional de Colecionadores e Feira de
Trocas em Vila Nova de Gaia, organizado pelo Clube de Coleccionadores de Gaia, decorrerá no dia 02 de Maio (sábado) das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às
17h00, nas galerias da Escola Secundária Almeida Garrett em Vila Nova de Gaia.
Como é tradicional, este evento vai reunir centenas de
colecionadores de norte a sul do país.
Esperamos e desejamos que esta iniciativa do Clube de
Colecionadores de Gaia seja bastante participada, para que seja mais um êxito,
a juntar a outras já conseguidas, e que venha a consubstanciar-se num salutar
convívio entre colecionadores.
Na noite de 20 para 21 de Março de 1888, faz esta noite 138 anos, um incêndio destruía o Teatro Baquet, na Baixa do Porto Rua de Santo António e morrem cerca de 120 pessoas, 88 das quais estão sepultadas numa vala comum no cemitério de Agramonte.
"Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de
março de 1825, em Lisboa, e suicidou-se a 1 de junho de 1890 em S. Miguel de Seide,
Famalicão. Órfão de mãe aos dois anos e de pai aos nove, passou, a partir desta
idade, a viver em Vila Real com uma tia paterna. Aos 16 anos, casou-se com
Joaquina Pereira, em Friúme, Ribeira de Pena. Em 1844, instalou-se no Porto com
o intuito de cursar Medicina, acabando por não passar do 2.o ano. Em 1845,
estreou-se na poesia e no ano seguinte no teatro e também no jornalismo - actividade, aliás, que nunca abandonaria.
Viúvo desde 1847, fixou-se definitivamente no Porto a partir de 1848 (onde, em
1846, já estivera preso por ter raptado Patrícia Emília, um dos seus
tumultuosos amores, de quem teria uma filha). De 1849 a 1851 consolidou a sua actividade jornalística, retomou o teatro,
estreou-se no romance com Anátema (1851), conheceu a alta-roda portuense bem
como os meios boémios e foi protagonista de aventuras romanescas.
Em 1853, abandonou o curso de Teologia no Seminário
Episcopal, fundou vários jornais e em 1855 tornou-se o redactor principal de O Porto e de Carta.
Nessa altura, o seu nome começava a soar nos meios jornalísticos e literários
do Porto e de Lisboa: já alimentara várias polémicas e publicara alguns
romances. Mas foi a partir de 1856 que atingiu a maturidade literária (no
domínio dos processos de escrita) com o romance (por alguns autores considerado
novela) Onde Está a Felicidade?. Foi ainda neste ano que iniciou o
relacionamento amoroso com Ana Plácido, casada desde 1850 com Manuel Pinheiro
Alves.
Por proposta de Alexandre Herculano, foi eleito sócio da
Academia Real das Ciências de Lisboa em 1858 - ano em que nasceu Manuel
Plácido, filho de Camilo e de Ana Plácido. Em 1860, Manuel Pinheiro Alves
desencadeou o processo de adultério: em
Junho foi presa a mulher e a 1 de
outubro Camilo entregou-se na cadeia da Relação do Porto. D. Pedro V
visitou-o, em 1861, na cadeia, e a 16 de
Outubro desse ano os réus foram absolvidos. Era intensa a atividade literária de Camilo (não sendo a
esse facto de todo alheias as dificuldades económicas): entre 1862 e 1863, o
escritor publicou onze novelas e romances atingindo uma notoriedade
dificilmente igualável. Em 1864, fixou-se na quinta de S. Miguel de Seide
(propriedade de Manuel Pinheiro Alves que, entretanto, falecera em 1863) e
nasceu-lhe o terceiro filho, Nuno. Quatro anos depois, dirigiu a Gazeta
Literária do Porto; em 1870 iniciou o processo do viscondado (o título
ser-lhe-ia atribuído em 1885) e, em 1876, tomou consciência da loucura do
segundo filho, Jorge. No ano seguinte morreu Manuel Plácido. A partir de 1881,
agravaram-se os padecimentos, incluindo a doença dos olhos que o afectava. Em 1889, por ocasião do seu
aniversário, foi objecto de calorosa
homenagem de escritores, artistas e estudantes, promovida por João de Deus. No
ano seguinte, já cego, impossibilitado de escrever (a escrita foi, no fim de
contas, a sua grande paixão), suicidou-se com um tiro de revólver. A casa de
Seide é hoje o museu do escritor e na sua vizinhança foram inauguradas, a 1 de junho de 2005, as novas instalações do Centro
de Estudos Camilianos.
Camilo foi o primeiro escritor profissional entre nós.
Dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular narrativas, conhecedor
profundo do idioma, observador, ora complacente ora sarcástico, da sociedade
(sobretudo da aristocracia decadente e da burguesia boçal e endinheirada),
inclinado (por gosto, por temperamento e formação) para a intriga e análise
passionais (muitas vezes atingindo o sublime da tragédia, como no Amor de
Perdição), este genial autor romântico deixou-nos uma obra incontornável (apesar
de irregular) na evolução da prosa literária portuguesa. De facto, foi na
novela passional e no "romance de costumes" que Camilo se
notabilizou, legando-nos uma série de personagens ainda hoje inesquecíveis,
quadros e situações que valem pela espontaneidade narrativa, pelo ritmo
avassalador da ação, pela sugestão realista e ainda pela novidade temática,
como em A Queda dum Anjo. A sua versatilidade literária e criadora (aliada à
necessidade de não perder o público com a progressiva influência de Eça e de
Teixeira de Queirós) levaram-no a assimilar (depois de ter parodiado) a atitude
estética e os processos de escrita do Realismo e do Naturalismo, visíveis nesse
notável livro que é A Brasileira de Prazins e em certa medida já iniciados com
Novelas do Minho.
A sua arte de narrar constituiu, a par da de Eça de Queirós,
um modelo literário para muitos escritores, principalmente até meados do século
XX.
As suas obras principais são: A Filha do Arcediago, 1855;
Onde está a Felicidade?, 1856; Vingança, 1858; O Romance dum Homem Rico, 1861;
Amor de Perdição, 1862; Memórias do Cárcere, 1862; O Bem e o Mal, 1863; Vinte
Horas de Liteira, 1864; A Queda dum Anjo, 1865; O Retrato de Ricardina, 1868; A
Mulher Fatal, 1870; O Regicida, 1874; Novelas do Minho, 1875-1877; Eusébio
Macário, 1879; A Brasileira de Prazins, 1882.
Além destas obras em prosa narrativa, assinale-se ainda os outros géneros (ou domínios) pelos quais se repartiu o labor de Camilo: poesia, teatro (de que se devem destacar O Morgado de Fafe em Lisboa, 1861, e O Morgado de Fafe Amoroso, 1865), dezenas de traduções (do francês e do inglês), polémica, prefácios, biografia, história, crítica literária, jornalismo e epistolografia (compreendendo mais de duas mil cartas)."
Camilo Castelo Branco. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
Sim, partiu hoje, quinta-feira 12 de março de 2026, aos 90 anos. o "bom malandro". O jornalista e
escritor Mário Zambujal.
Figura incontornável da cultura e do jornalismo em Portugal, Zambujal ficou eternamente ligado à sua obra, "Crónica dos Bons Malandros" (1980), que se tornou um fenómeno de popularidade.
Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro é uma antologia monumental publicada pela editora Assírio & Alvim no âmbito do evento Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Com cerca de 1920 páginas, a obra reúne poemas de diversas épocas e civilizações, sendo considerada um dos projetos editoriais mais ambiciosos da poesia em Portugal.
Morreu esta quinta-feira António Lobo Antunes, um dos mais
consagrados escritores portugueses. Deixa uma obra vasta, com cerca de 40
livros editados em todo o mundo. Foi o vencedor do Prémio Camões em 2007.
António Lobo Antunes nasceu a 1 de setembro de 1942, na
freguesia de Benfica, em Lisboa, no seio de uma família de alta burguesia. O
pai foi um destacado neurologista português. Estudou no Liceu Camões e
licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa,
em 1969.
“Há anos assisti na televisão inglesa à última entrevista de
Evelyn Waugh, um escritor notável e brilhante e um homem complexo,
contraditório, de temperamento difícil, muitas vezes insuportável, autor de uma
obra importante e extensa, apesar de a sua vida não ter sido muito longa.
Morreu de uma forma mais frequente do que se imagina: sentado na retrete a
tentar fazer cócó, que é uma excelente maneira de explodir um vaso do cérebro.
A entrevista foi talvez a melhor a que assisti em toda a minha vida porque o
jornalista era extraordinário de talento, inteligência e humor e toda a gente
sabe que a qualidade de uma entrevista depende do mérito e do engenho de quem a
conduz. No caso de Evelyn Waugh a conversa, de parte a parte, foi espantosa e
eu passei uma hora feliz a escutá-los porque nada se compara ao espectáculo de
duas inteligências em movimento. Falaram da vida do escritor, da sua obra, do
mundo, de tudo e eu ali pasmado a escutá-los, a aprender e a fruir. A última
questão era assim – O que espera dos leitores depois da sua morte?
e Evelyn Waugh, colérico, sarcástico, irónico, em muitas
ocasiões insuportável, outras furioso, outras sereno, sempre em guerra consigo
mesmo e com os outros, tornou-se de súbito uma espécie de menino grande (quem não é um menino grande?) e respondeu num
pedido doce, com uma súbita sinceridade desarmante:
– Que rezem pela minha alma pecadora
Católico inglês, como o seu amigo Graham Greene, coisa não
muito frequente no seu país protestante, repetiu, mas baixo – Que rezem pela
minha alma pecadora e a entrevista encerrou-se ali. Não menciona a posteridade,
a esperança de permanência da sua obra, não aludiu a sonhos de glória póstuma:
limitou-se a pedir que rezassem pela sua alma pecadora. E eu que sou seu
leitor, rezo, apesar da minha tão complicada e por vezes agressiva relação com
Deus (Voltaire, por exemplo, dizia acerca d’Ele – Cumprimentamo-nos, mas não
nos falamos) por uma alma que, com tanta sinceridade, se desnudou por completo
ali à minha frente e de muitos milhares de outros espectadores, a pedir-nos
ajuda com uma simplicidade desarmante. A sua obra já não lhe pertencia,
pertencia aos leitores do futuro que a julgariam de diversas formas, sujeitas
às constantes flutuações do gosto, ora esquecida ora lembrada, ora inexistente
ora viva de novo, ora exaltada ora diminuída, estendida de muitos e variados
modos e, finalmente, esquecida para sempre, porque seremos inevitavelmente,
esquecidos para sempre. Santo Agostinho, por exemplo, sustentava que, se
deixasse cair um pingo de água, uma vez por ano, numa imensa esfera de ferro,
quando finalmente a água deixasse marca no ferro ainda nem a eternidade havia
começado, e as nossas chances de fazermos parte dela são, evidentemente, nulas.
Nem é preciso ir tão longe. Nem é necessário ir tão longe: Aristóteles deixou
os nomes dos dez maiores tragediógrafos gregos ou, pelo menos aqueles que ele
considerava os dez maiores tragediógrafos gregos. Chegaram até nós três apenas,
escritores sublimes, e nenhum deles consta da lista de Aristóteles: Eurípedes,
Ésquilo e Sófocles, autores, aliás, sublimes. E, mesmo desses, o que perdura
está longe de ser o seu trabalho completo. Estamos condenados ao
desaparecimento total do nosso combate, por maior e mais genial que ele tenha
sido. Oscar Wilde tinha razão (tinha quase sempre razão, o sacana) quando, ao
mencionar Homero, escreveu “Homero ou outro grego com o mesmo nome”, visto que
o Homero que temos, o da Ilíada e da Odisseia, não é certamente o original, a
sua existência parece agora mais que problemática, e desconhecemos o verdadeiro
autor daquelas onomatopeias únicas de que Pound falava. Sobram talvez os restos
de uma alminha, para usar a expressão de Marco de Aurélio, perdida entre
ínfimos restos de alminhas, um ditongo aqui, quase uma palavra acolá, e tudo o
resto é, provavelmente, apócrifo. De qualquer modo o que compusemos, com tanta
angústia, dificuldade e esperança, perder-se-á para sempre, e a certeza disto
torna as nossas vidas mais estreitas e insignificantes ainda, condenadas a um
esquecimento absoluto. Mais cedo ou mais tarde as nossas almas pecadoras
vogarão sozinhas, minúsculas luzes bruxuleantes num nada absoluto. Resta-nos
esperar (eu, pelo menos espero, ter o destino do meu poeta favorito, Quevedo,
nascido no ano em que Camões morreu (1580) que termina num dos seus mais
geniais sonetos, falando de si mesmo após a sua morte:
Serei pó mas pó apaixonado e nesse pó inapreensível
continuaremos a ser. Uma ocasião, numa viagem de Bucareste para Constança
parámos, o poeta Dinu Flamand e eu, num mosteiro isolado, com mais de
seiscentos (seiscentos) seminaristas. O bispo disse-nos – Vamos rezar uma
oração pelas almas eternas dos escritores falecidos e seiscentas vozes a
cantarem naquela catedral imensa foi a coisa mais grandiosa e comovente que alguma
vez escutei. Todo eu tremia como uma folhinha ao vento, de olhos cheios de
lágrimas. E tive, pela primeira vez na vida, a certeza de ser eterno. Pensei em
Evelyn Waugh, pensei em mim. E consolou-me, Senhor, ser um grãozinho eterno. Um
grãozinho sem obra e sem nome, mas de quem Te não esqueces. Por favor não
ponham boneco nenhum nesta crónica. É que já está suficientemente iluminada. E
é, de certeza, a mais comprida que fiz."
(Crónica publicada na VISÃO 1298 de 18 de janeiro)
Tive o privilégio de ter conhecido pessoalmente o Sr. Èmile Henry no ano de 1975, que foi o fundador em 1954, da empresa Têxtil Nortenha, empresa esta que ainda existe.
Para quaisquer mais esclarecimentos adicionais que eventualmente possa ter interesse, podem contactar para o CANTO III.
Contexto Artístico: O Estilo: As aguarelas de Cruz são reconhecidas pelas suas "matizes escurecidas" e "paisagens enevoadas", captando a humidade e o mistério característicos do Porto sem necessidade de títulos descritivos.
Cinema: O título da obra coincide com o do documentário de Manoel de Oliveira (1956), que explorou precisamente a relação contemplativa entre o pintor e a sua cidade natal.
A relação da artista com o Douro é central na sua carreira,
tendo resultado em publicações e coleções editadas pelo Museu do Douro:
Livro "O Douro de Gracinda Marques" (2002): Uma
edição comemorativa de homenagem a José António Rosas, com textos de Luís
Valente de Oliveira e A. M. Pires Cabral, e fotografias de Egídio Santos.
"Por onde ando, o Douro de Gracinda Marques"
(2019): Catálogo de exposição que sintetiza uma viagem de 40 anos pela região,
com coordenação de Fernando Seara."
O livro traça cronologicamente seu impacto nesse campo, começando com seu trabalho na Galícia durante a década de 1930, passando por sua prolífica atividade em Buenos Aires durante seu exílio e culminando com seu trabalho gráfico durante seu retorno ao país.