Título: OS MORTOS CHEGAM MAIS TARDE
Autor: Rogério Freitas
Editora: Publicações Europa-América
Edição: 1ª edição
Capa: Estúdios PEA
Coleção: Os livros das Três Abelhas
Número: 92
Ano de Edição: 1968
Género: Teatro
Idioma: Português
Nº de Páginas: 192-IV páginas
Encadernação: Capa mole, brochura
Dimensões: 11,5 x 18 cm
Estado de Conservação: Bom
Notas extra:
Referência: 2606020
Sinopse: "Os Mortos Chegam Mais Tarde" é uma peça de teatro
em dois atos escrita pelo pintor e escritor português Rogério de Freitas,
publicada originalmente em 1968 pelas Publicações Europa-América. É uma reflexão profunda e existencialista sobre o destino, a vida, a morte e a memória.
A obra
integrou a icónica coleção "Livros das Três Abelhas" (nº 92).
Por
conter teor crítico ou político desconfortável para o regime ditatorial da
época, o livro chegou a ser alvo de autos de apreensão pela PIDE/DGS em março
de 1968, em diversas livrarias.
O contexto histórico e a estrutura da obra revelam o impacto que este livro
teve no panorama literário português.
Os Autos de Apreensão e a Censura (PIDE/DGS)
O livro "Os Mortos Chegam Mais Tarde" foi alvo de uma
forte e imediata vaga de repressão após o seu lançamento em 1968. De acordo com
os documentos históricos do arquivo da Fundação Mário Soares / Casa Comum, a
obra incomodou profundamente o regime salazarista.
Numa nota manuscrita da autoria de um dos censores da época, o livro era
descrito de forma implacável:
“Meu caro Nazaré: Saiu há dois dias, editado pela Europa-América, o livro
‘Os Mortos Chegam Mais Tarde’, de Rogério de Freitas, que é a coisa mais
infame e mais anti-militarista que até hoje se publicou em Portugal. É de
mandar já apreendê-lo e se fosse possível meter o malandro na cadeia.”
Esta denúncia gerou uma operação coordenada pelas forças de segurança da
ditadura no início de março de 1968, com buscas e apreensões
consecutivas por todo o país:
2 de março de 1968: Apreensão de dois exemplares
na Livraria Nacional (Covilhã).
5 de março de 1968: Apreensão de dois exemplares
na Livraria Globo (Braga) por agentes da PSP.
6 de março de 1968: Apreensão de seis exemplares
na Livraria Portugal e mais dois exemplares na Livraria Aillaud & Lello
(ambas em Lisboa).
26 de abril de 1968: A ordem de proibição chegou
ao ultramar, com a PIDE a confiscar exemplares na Livraria Lello &
Companhia em Nova Lisboa (atual Huambo, Angola).
Por esta razão, o livro consta formalmente na lista oficial de Livros
Censurados em Portugal antes da Revolução de 25 de Abril de 1974.
A Estrutura da Peça (Dois Atos)
Diferente da clássica estrutura teatral de três atos (Apresentação,
Desenvolvimento e Desfecho), Rogério de Freitas — influenciado pela sua veia
neorrealista e existencialista — optou por dividir a narrativa estritamente em dois
atos.
Ato I: Funciona como a introdução do espaço tenso e a
exposição do conflito ideológico. O texto foca-se na preparação ou antecipação
de um acontecimento crítico ligado à guerra ou à opressão militarista.
Ato
II:
Concentra a complicação da intriga, o clímax e a resolução (frequentemente
trágica). É onde se adensa a crítica social e se processa a reflexão
existencial em torno da memória dos que partiram.Do autor:
Rogério de Freitas (1910–2001), intelectual que se destacou tanto na literatura
como nas artes plásticas.
Preço: 15,00 €
Livraria Alfarrabista Canto III
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