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quinta-feira, 5 de março de 2026

Morreu um gigante das letras portuguesas, António Lobo Antunes


Morreu esta quinta-feira António Lobo Antunes, um dos mais consagrados escritores portugueses. Deixa uma obra vasta, com cerca de 40 livros editados em todo o mundo. Foi o vencedor do Prémio Camões em 2007.

António Lobo Antunes nasceu a 1 de setembro de 1942, na freguesia de Benfica, em Lisboa, no seio de uma família de alta burguesia. O pai foi um destacado neurologista português. Estudou no Liceu Camões e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em 1969.

“Há anos assisti na televisão inglesa à última entrevista de Evelyn Waugh, um escritor notável e brilhante e um homem complexo, contraditório, de temperamento difícil, muitas vezes insuportável, autor de uma obra importante e extensa, apesar de a sua vida não ter sido muito longa. Morreu de uma forma mais frequente do que se imagina: sentado na retrete a tentar fazer cócó, que é uma excelente maneira de explodir um vaso do cérebro. A entrevista foi talvez a melhor a que assisti em toda a minha vida porque o jornalista era extraordinário de talento, inteligência e humor e toda a gente sabe que a qualidade de uma entrevista depende do mérito e do engenho de quem a conduz. No caso de Evelyn Waugh a conversa, de parte a parte, foi espantosa e eu passei uma hora feliz a escutá-los porque nada se compara ao espectáculo de duas inteligências em movimento. Falaram da vida do escritor, da sua obra, do mundo, de tudo e eu ali pasmado a escutá-los, a aprender e a fruir. A última questão era assim – O que espera dos leitores depois da sua morte?

e Evelyn Waugh, colérico, sarcástico, irónico, em muitas ocasiões insuportável, outras furioso, outras sereno, sempre em guerra consigo mesmo e com os outros, tornou-se de súbito uma espécie de menino grande  (quem não é um menino grande?) e respondeu num pedido doce, com uma súbita sinceridade desarmante:

– Que rezem pela minha alma pecadora

Católico inglês, como o seu amigo Graham Greene, coisa não muito frequente no seu país protestante, repetiu, mas baixo – Que rezem pela minha alma pecadora e a entrevista encerrou-se ali. Não menciona a posteridade, a esperança de permanência da sua obra, não aludiu a sonhos de glória póstuma: limitou-se a pedir que rezassem pela sua alma pecadora. E eu que sou seu leitor, rezo, apesar da minha tão complicada e por vezes agressiva relação com Deus (Voltaire, por exemplo, dizia acerca d’Ele – Cumprimentamo-nos, mas não nos falamos) por uma alma que, com tanta sinceridade, se desnudou por completo ali à minha frente e de muitos milhares de outros espectadores, a pedir-nos ajuda com uma simplicidade desarmante. A sua obra já não lhe pertencia, pertencia aos leitores do futuro que a julgariam de diversas formas, sujeitas às constantes flutuações do gosto, ora esquecida ora lembrada, ora inexistente ora viva de novo, ora exaltada ora diminuída, estendida de muitos e variados modos e, finalmente, esquecida para sempre, porque seremos inevitavelmente, esquecidos para sempre. Santo Agostinho, por exemplo, sustentava que, se deixasse cair um pingo de água, uma vez por ano, numa imensa esfera de ferro, quando finalmente a água deixasse marca no ferro ainda nem a eternidade havia começado, e as nossas chances de fazermos parte dela são, evidentemente, nulas. Nem é preciso ir tão longe. Nem é necessário ir tão longe: Aristóteles deixou os nomes dos dez maiores tragediógrafos gregos ou, pelo menos aqueles que ele considerava os dez maiores tragediógrafos gregos. Chegaram até nós três apenas, escritores sublimes, e nenhum deles consta da lista de Aristóteles: Eurípedes, Ésquilo e Sófocles, autores, aliás, sublimes. E, mesmo desses, o que perdura está longe de ser o seu trabalho completo. Estamos condenados ao desaparecimento total do nosso combate, por maior e mais genial que ele tenha sido. Oscar Wilde tinha razão (tinha quase sempre razão, o sacana) quando, ao mencionar Homero, escreveu “Homero ou outro grego com o mesmo nome”, visto que o Homero que temos, o da Ilíada e da Odisseia, não é certamente o original, a sua existência parece agora mais que problemática, e desconhecemos o verdadeiro autor daquelas onomatopeias únicas de que Pound falava. Sobram talvez os restos de uma alminha, para usar a expressão de Marco de Aurélio, perdida entre ínfimos restos de alminhas, um ditongo aqui, quase uma palavra acolá, e tudo o resto é, provavelmente, apócrifo. De qualquer modo o que compusemos, com tanta angústia, dificuldade e esperança, perder-se-á para sempre, e a certeza disto torna as nossas vidas mais estreitas e insignificantes ainda, condenadas a um esquecimento absoluto. Mais cedo ou mais tarde as nossas almas pecadoras vogarão sozinhas, minúsculas luzes bruxuleantes num nada absoluto. Resta-nos esperar (eu, pelo menos espero, ter o destino do meu poeta favorito, Quevedo, nascido no ano em que Camões morreu (1580) que termina num dos seus mais geniais sonetos, falando de si mesmo após a sua morte:

Serei pó mas pó apaixonado e nesse pó inapreensível continuaremos a ser. Uma ocasião, numa viagem de Bucareste para Constança parámos, o poeta Dinu Flamand e eu, num mosteiro isolado, com mais de seiscentos (seiscentos) seminaristas. O bispo disse-nos – Vamos rezar uma oração pelas almas eternas dos escritores falecidos e seiscentas vozes a cantarem naquela catedral imensa foi a coisa mais grandiosa e comovente que alguma vez escutei. Todo eu tremia como uma folhinha ao vento, de olhos cheios de lágrimas. E tive, pela primeira vez na vida, a certeza de ser eterno. Pensei em Evelyn Waugh, pensei em mim. E consolou-me, Senhor, ser um grãozinho eterno. Um grãozinho sem obra e sem nome, mas de quem Te não esqueces. Por favor não ponham boneco nenhum nesta crónica. É que já está suficientemente iluminada. E é, de certeza, a mais comprida que fiz."

(Crónica publicada na VISÃO 1298 de 18 de janeiro)



sexta-feira, 17 de abril de 2020

O Meu Nome é Legião

Foto: Título: O Meu Nome é Legião
Autor:  António Lobo Antunes
Editor: Publicações Dom Quixote
Edição: 2ª edição (Obra Completa "Edição ne Varietur")
Ano: 2007
Nº de páginas: 384
Capa: Brochura com sobre-capa
Dimensões: 15,5 x 23,5 cm
Estado de conservação:  Bom

Preço:    15,00 €
Referência: 2004151

Sinopse: Este livro segue a vida dos jovens de um bairro social da periferia de uma grande cidade, descrita através de um relatório de polícia, o que aproxima a escrita do registo das crónicas.
Com este novo romance Lobo Antunes inova a sua técnica narrativa de forma muito perceptível, sendo surpreendente a forma como o faz.
Uma edição ne varietur, cuidadosamente preparada, a única reconhecida pelo autor como legítima.

O Manual dos Inquisidores

Foto: Título: O Manual dos Inquisidores
Autor:  António Lobo Antunes
Ano: 1943 (Março)
Editor: Planeta de Agostini
Nº de páginas: 416
Dimensões: 13 cm x 20,5 cm
Capa: Dura
Estado de conservação:  Bom

Preço:    9,00 €
Referência: 2004150

Sinopse: As transformações no pós-25 de Abril, designadamente numa grande quinta em Palmela, de uma família com ligações ao antigo regime, através de relatos, cinco (e cada um deles inclui outros três, feitos do ponto de vista da mesma personagem). As personagens que surgem com mais frequência são: o filho, a governanta, a irmã, a amante do pai e o pai.

domingo, 15 de março de 2020

A Ordem Natural das Coisas


Título: A Ordem Natural das Coisas 
Autor: António Lobo Antunes
Editor: Publicações Dom Quixote, Ldª
Edição: 1ª edição
Ano: Novembro de 1992
Encadernação: Capa de brochura
Nº de páginas: 332
Dimensões: 21 cm x 13,5 cm
Estado de conservação: Bom

Preço: 25,00 €
Referência: 2003054

Sinopse: "Em "A Ordem Natural das Coisas", António Lobo Antunes traça o complexo fado multi-geracional de duas famílias que são assombradas pelos seus passados."

terça-feira, 10 de março de 2020

O Esplendor de Portugal


Título: O Esplendor de Portugal 
Autor: António Lobo Antunes
Sobrecapa: Fortespólio
Ilustrador: José Miguel Ribeiro
Ano: 1997 (Setembro)
Encadernação: Capa dura com sobrecapa com badanas
Nº de páginas: 392
Dimensões: 22 cm x 14 cm
Estado: Bom

Preço: 10,00 €
Referência: 2003030

Sinopse: "Quatro personagens contam a sua história familiar, que se funde quer na história dos últimos anos do domínio colonialista português, quer na dos primeiros anos da independência e na guerra civil que se seguiu em Angola. A miragem do esplendor de Portugal evocado no título esboroa-se na desagregação da família, pondo a nu os seus defeitos e as suas fraquezas."

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Explicação dos Pássaros

Título: Explicação dos Pássaros
Autor: António Lobo Antunes
Editor: Editorial Vega
Colecção: O Chão da Palavra
Edição: 4ª edição
Capa de: Vitor Paiva
Nº de páginas: 248
Dimensões: 14 cm x 20 cm
Encadernação: Brochura
Estado de conservação: Bom

Preço: 12,00 €
Referência: 1909040

Sinopse: Relato dos últimos quatro dias da vida de Rui S. Rui visita a mãe que está a morrer de cancro numa clínica em Lisboa; parte, em seguida, com a mulher, Marília, para um congresso em Tomar, mas, a meio da viagem, muda de ideias e seguem para uma estalagem em Aveiro, à beira da ria, para uma estadia a sós. Na realidade, o seu propósito é falar a Marília do desejo de separação, mas acaba por ser a mulher que lhe comunica, ao terceiro dia, a vontade de se separar dele. No domingo, Rui sai cedo do quarto da estalagem para passear na ria enquanto a mulher regressa sozinha a Lisboa. Horas depois, rui suicida-se nas margens do Vouga, olhando os bandos de pássaros.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Livro de Crónicas

Título: Livro de Crónicas
Autor: António Lobo Antunes
Revisão Gráfica: Álvaro Marques
Foto da Capa: Mathieu Bourgois
Fotocomposição: Mariano
Impressão e acabamentos: Gráfica Manuel Barbosa & Filhos, Lda.
Ano: Novembro de 1998
Edição: 1ª edição
Nº de páginas: 380
Dimensões: 21 cm x 13,5 cm
Encadernação: Brochura, sobrecapa com badanas
Estado de conservação: Como Novo

Preço: 25,00 €
Referência: 1906024


Sinopse: Livro de Crónicas, reuniu as crónicas que António Lobo Antunes publicara durante mais de uma década em jornais e revistas, proporcionando aos leitores uma abordagem completamente diferente da sua obra, mais aberta ao leitor comum, sem perder a excelência da qualidade literária que alcançara com os seus romances. Estas Crónicas foram publicadas paralelamente aos romances e partilham do seu universo ficcional, mas alargando esse universo a situações do quotidiano e a figuras ou acontecimentos passados ou presentes. Aqui, o escritor desenvolve uma conversa íntima, solta, falando de tudo e de nada, muitas vezes em tom confidencial, a espreitar para a vida em seu redor, propondo-se por vezes fazer rir pela caricatura, ou sorrir de prazer pela cumplicidade que se estabelece entre o escritor e os seus leitores.


domingo, 28 de outubro de 2018

Os Cus de Judas

Título: Os Cus de Judas 
Autor: António Lobo Antunes
Capa: Miguel Imbiriba
Foto: Bárbara Klemm
Editora: Publicações Dom Quixote, Ldª
Encadernação: Capa Mole
Dimensões: 21 cm x 13,5 cm
Estado: Bom

Preço: 7,00 €
Referência: 1810034

Sinopse: "A memória das experiências vividas durante a guerra em Angola. A partir de um encontro nocturno, num bar, do narrador com uma mulher, sem nome e sem voz, surge num longo monólogo o percurso de um médico militar que, depois de passar vinte e sete meses em Angola a servir o exército colonial, a reconstituir os corpos explodidos na guerra ou a assistir à sua agonia, regressa à metrópole, perdido numa angústia sem saída."