terça-feira, 31 de março de 2026
O Canto III Livraria Alfarrabista, deseja aos seus leitores, clientes, amigos e colaboradores uma Santa Páscoa
quarta-feira, 25 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
Na noite de 20 para 21 de Março de 1888, faz esta noite 138 anos, um incêndio destruía o Teatro Baquet, na Baixa do Porto
Na noite de 20 para 21 de Março de 1888, faz esta noite 138 anos, um incêndio destruía o Teatro Baquet, na Baixa do Porto Rua de Santo António e morrem cerca de 120 pessoas, 88 das quais estão sepultadas numa vala comum no cemitério de Agramonte.
segunda-feira, 16 de março de 2026
Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de março de 1825
"Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de
março de 1825, em Lisboa, e suicidou-se a 1 de junho de 1890 em S. Miguel de Seide,
Famalicão. Órfão de mãe aos dois anos e de pai aos nove, passou, a partir desta
idade, a viver em Vila Real com uma tia paterna. Aos 16 anos, casou-se com
Joaquina Pereira, em Friúme, Ribeira de Pena. Em 1844, instalou-se no Porto com
o intuito de cursar Medicina, acabando por não passar do 2.o ano. Em 1845,
estreou-se na poesia e no ano seguinte no teatro e também no jornalismo - actividade, aliás, que nunca abandonaria.
Viúvo desde 1847, fixou-se definitivamente no Porto a partir de 1848 (onde, em
1846, já estivera preso por ter raptado Patrícia Emília, um dos seus
tumultuosos amores, de quem teria uma filha). De 1849 a 1851 consolidou a sua actividade jornalística, retomou o teatro,
estreou-se no romance com Anátema (1851), conheceu a alta-roda portuense bem
como os meios boémios e foi protagonista de aventuras romanescas.
Em 1853, abandonou o curso de Teologia no Seminário
Episcopal, fundou vários jornais e em 1855 tornou-se o redactor principal de O Porto e de Carta.
Nessa altura, o seu nome começava a soar nos meios jornalísticos e literários
do Porto e de Lisboa: já alimentara várias polémicas e publicara alguns
romances. Mas foi a partir de 1856 que atingiu a maturidade literária (no
domínio dos processos de escrita) com o romance (por alguns autores considerado
novela) Onde Está a Felicidade?. Foi ainda neste ano que iniciou o
relacionamento amoroso com Ana Plácido, casada desde 1850 com Manuel Pinheiro
Alves.
Por proposta de Alexandre Herculano, foi eleito sócio da
Academia Real das Ciências de Lisboa em 1858 - ano em que nasceu Manuel
Plácido, filho de Camilo e de Ana Plácido. Em 1860, Manuel Pinheiro Alves
desencadeou o processo de adultério: em
Junho foi presa a mulher e a 1 de
outubro Camilo entregou-se na cadeia da Relação do Porto. D. Pedro V
visitou-o, em 1861, na cadeia, e a 16 de
Outubro desse ano os réus foram absolvidos. Era intensa a atividade literária de Camilo (não sendo a
esse facto de todo alheias as dificuldades económicas): entre 1862 e 1863, o
escritor publicou onze novelas e romances atingindo uma notoriedade
dificilmente igualável. Em 1864, fixou-se na quinta de S. Miguel de Seide
(propriedade de Manuel Pinheiro Alves que, entretanto, falecera em 1863) e
nasceu-lhe o terceiro filho, Nuno. Quatro anos depois, dirigiu a Gazeta
Literária do Porto; em 1870 iniciou o processo do viscondado (o título
ser-lhe-ia atribuído em 1885) e, em 1876, tomou consciência da loucura do
segundo filho, Jorge. No ano seguinte morreu Manuel Plácido. A partir de 1881,
agravaram-se os padecimentos, incluindo a doença dos olhos que o afectava. Em 1889, por ocasião do seu
aniversário, foi objecto de calorosa
homenagem de escritores, artistas e estudantes, promovida por João de Deus. No
ano seguinte, já cego, impossibilitado de escrever (a escrita foi, no fim de
contas, a sua grande paixão), suicidou-se com um tiro de revólver. A casa de
Seide é hoje o museu do escritor e na sua vizinhança foram inauguradas, a 1 de junho de 2005, as novas instalações do Centro
de Estudos Camilianos.
Camilo foi o primeiro escritor profissional entre nós.
Dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular narrativas, conhecedor
profundo do idioma, observador, ora complacente ora sarcástico, da sociedade
(sobretudo da aristocracia decadente e da burguesia boçal e endinheirada),
inclinado (por gosto, por temperamento e formação) para a intriga e análise
passionais (muitas vezes atingindo o sublime da tragédia, como no Amor de
Perdição), este genial autor romântico deixou-nos uma obra incontornável (apesar
de irregular) na evolução da prosa literária portuguesa. De facto, foi na
novela passional e no "romance de costumes" que Camilo se
notabilizou, legando-nos uma série de personagens ainda hoje inesquecíveis,
quadros e situações que valem pela espontaneidade narrativa, pelo ritmo
avassalador da ação, pela sugestão realista e ainda pela novidade temática,
como em A Queda dum Anjo. A sua versatilidade literária e criadora (aliada à
necessidade de não perder o público com a progressiva influência de Eça e de
Teixeira de Queirós) levaram-no a assimilar (depois de ter parodiado) a atitude
estética e os processos de escrita do Realismo e do Naturalismo, visíveis nesse
notável livro que é A Brasileira de Prazins e em certa medida já iniciados com
Novelas do Minho.
A sua arte de narrar constituiu, a par da de Eça de Queirós,
um modelo literário para muitos escritores, principalmente até meados do século
XX.
As suas obras principais são: A Filha do Arcediago, 1855;
Onde está a Felicidade?, 1856; Vingança, 1858; O Romance dum Homem Rico, 1861;
Amor de Perdição, 1862; Memórias do Cárcere, 1862; O Bem e o Mal, 1863; Vinte
Horas de Liteira, 1864; A Queda dum Anjo, 1865; O Retrato de Ricardina, 1868; A
Mulher Fatal, 1870; O Regicida, 1874; Novelas do Minho, 1875-1877; Eusébio
Macário, 1879; A Brasileira de Prazins, 1882.
Além destas obras em prosa narrativa, assinale-se ainda os outros géneros (ou domínios) pelos quais se repartiu o labor de Camilo: poesia, teatro (de que se devem destacar O Morgado de Fafe em Lisboa, 1861, e O Morgado de Fafe Amoroso, 1865), dezenas de traduções (do francês e do inglês), polémica, prefácios, biografia, história, crítica literária, jornalismo e epistolografia (compreendendo mais de duas mil cartas)."
Camilo Castelo Branco. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
quinta-feira, 12 de março de 2026
Morreu esta quinta-feira, aos 90 anos ... Mário Zambujal (1936-2026), jornalista, escritor, um bom malandro.
Sim, partiu hoje, quinta-feira 12 de março de 2026, aos 90 anos. o "bom malandro". O jornalista e
escritor Mário Zambujal.
Figura incontornável da cultura e do jornalismo em Portugal, Zambujal ficou eternamente ligado à sua obra, "Crónica dos Bons Malandros" (1980), que se tornou um fenómeno de popularidade.
domingo, 8 de março de 2026
Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro
2001 Poemas para o Futuro
Editor: Assírio & Alvim
Coleção: Documenta Poética
Idioma: Português
Dimensões: 15,2 cm x 21,2 cm x 7,1 cm
Encadernação: Capa dura com sobrecapa
Número de páginas: 1920 páginas
Género: Poesia
Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro é uma antologia monumental publicada pela editora Assírio & Alvim no âmbito do evento Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Com cerca de 1920 páginas, a obra reúne poemas de diversas épocas e civilizações, sendo considerada um dos projetos editoriais mais ambiciosos da poesia em Portugal.
quinta-feira, 5 de março de 2026
Morreu um gigante das letras portuguesas, António Lobo Antunes
Morreu esta quinta-feira António Lobo Antunes, um dos mais
consagrados escritores portugueses. Deixa uma obra vasta, com cerca de 40
livros editados em todo o mundo. Foi o vencedor do Prémio Camões em 2007.
António Lobo Antunes nasceu a 1 de setembro de 1942, na
freguesia de Benfica, em Lisboa, no seio de uma família de alta burguesia. O
pai foi um destacado neurologista português. Estudou no Liceu Camões e
licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa,
em 1969.
“Há anos assisti na televisão inglesa à última entrevista de
Evelyn Waugh, um escritor notável e brilhante e um homem complexo,
contraditório, de temperamento difícil, muitas vezes insuportável, autor de uma
obra importante e extensa, apesar de a sua vida não ter sido muito longa.
Morreu de uma forma mais frequente do que se imagina: sentado na retrete a
tentar fazer cócó, que é uma excelente maneira de explodir um vaso do cérebro.
A entrevista foi talvez a melhor a que assisti em toda a minha vida porque o
jornalista era extraordinário de talento, inteligência e humor e toda a gente
sabe que a qualidade de uma entrevista depende do mérito e do engenho de quem a
conduz. No caso de Evelyn Waugh a conversa, de parte a parte, foi espantosa e
eu passei uma hora feliz a escutá-los porque nada se compara ao espectáculo de
duas inteligências em movimento. Falaram da vida do escritor, da sua obra, do
mundo, de tudo e eu ali pasmado a escutá-los, a aprender e a fruir. A última
questão era assim – O que espera dos leitores depois da sua morte?
e Evelyn Waugh, colérico, sarcástico, irónico, em muitas
ocasiões insuportável, outras furioso, outras sereno, sempre em guerra consigo
mesmo e com os outros, tornou-se de súbito uma espécie de menino grande (quem não é um menino grande?) e respondeu num
pedido doce, com uma súbita sinceridade desarmante:
– Que rezem pela minha alma pecadora
Católico inglês, como o seu amigo Graham Greene, coisa não
muito frequente no seu país protestante, repetiu, mas baixo – Que rezem pela
minha alma pecadora e a entrevista encerrou-se ali. Não menciona a posteridade,
a esperança de permanência da sua obra, não aludiu a sonhos de glória póstuma:
limitou-se a pedir que rezassem pela sua alma pecadora. E eu que sou seu
leitor, rezo, apesar da minha tão complicada e por vezes agressiva relação com
Deus (Voltaire, por exemplo, dizia acerca d’Ele – Cumprimentamo-nos, mas não
nos falamos) por uma alma que, com tanta sinceridade, se desnudou por completo
ali à minha frente e de muitos milhares de outros espectadores, a pedir-nos
ajuda com uma simplicidade desarmante. A sua obra já não lhe pertencia,
pertencia aos leitores do futuro que a julgariam de diversas formas, sujeitas
às constantes flutuações do gosto, ora esquecida ora lembrada, ora inexistente
ora viva de novo, ora exaltada ora diminuída, estendida de muitos e variados
modos e, finalmente, esquecida para sempre, porque seremos inevitavelmente,
esquecidos para sempre. Santo Agostinho, por exemplo, sustentava que, se
deixasse cair um pingo de água, uma vez por ano, numa imensa esfera de ferro,
quando finalmente a água deixasse marca no ferro ainda nem a eternidade havia
começado, e as nossas chances de fazermos parte dela são, evidentemente, nulas.
Nem é preciso ir tão longe. Nem é necessário ir tão longe: Aristóteles deixou
os nomes dos dez maiores tragediógrafos gregos ou, pelo menos aqueles que ele
considerava os dez maiores tragediógrafos gregos. Chegaram até nós três apenas,
escritores sublimes, e nenhum deles consta da lista de Aristóteles: Eurípedes,
Ésquilo e Sófocles, autores, aliás, sublimes. E, mesmo desses, o que perdura
está longe de ser o seu trabalho completo. Estamos condenados ao
desaparecimento total do nosso combate, por maior e mais genial que ele tenha
sido. Oscar Wilde tinha razão (tinha quase sempre razão, o sacana) quando, ao
mencionar Homero, escreveu “Homero ou outro grego com o mesmo nome”, visto que
o Homero que temos, o da Ilíada e da Odisseia, não é certamente o original, a
sua existência parece agora mais que problemática, e desconhecemos o verdadeiro
autor daquelas onomatopeias únicas de que Pound falava. Sobram talvez os restos
de uma alminha, para usar a expressão de Marco de Aurélio, perdida entre
ínfimos restos de alminhas, um ditongo aqui, quase uma palavra acolá, e tudo o
resto é, provavelmente, apócrifo. De qualquer modo o que compusemos, com tanta
angústia, dificuldade e esperança, perder-se-á para sempre, e a certeza disto
torna as nossas vidas mais estreitas e insignificantes ainda, condenadas a um
esquecimento absoluto. Mais cedo ou mais tarde as nossas almas pecadoras
vogarão sozinhas, minúsculas luzes bruxuleantes num nada absoluto. Resta-nos
esperar (eu, pelo menos espero, ter o destino do meu poeta favorito, Quevedo,
nascido no ano em que Camões morreu (1580) que termina num dos seus mais
geniais sonetos, falando de si mesmo após a sua morte:
Serei pó mas pó apaixonado e nesse pó inapreensível
continuaremos a ser. Uma ocasião, numa viagem de Bucareste para Constança
parámos, o poeta Dinu Flamand e eu, num mosteiro isolado, com mais de
seiscentos (seiscentos) seminaristas. O bispo disse-nos – Vamos rezar uma
oração pelas almas eternas dos escritores falecidos e seiscentas vozes a
cantarem naquela catedral imensa foi a coisa mais grandiosa e comovente que alguma
vez escutei. Todo eu tremia como uma folhinha ao vento, de olhos cheios de
lágrimas. E tive, pela primeira vez na vida, a certeza de ser eterno. Pensei em
Evelyn Waugh, pensei em mim. E consolou-me, Senhor, ser um grãozinho eterno. Um
grãozinho sem obra e sem nome, mas de quem Te não esqueces. Por favor não
ponham boneco nenhum nesta crónica. É que já está suficientemente iluminada. E
é, de certeza, a mais comprida que fiz."
(Crónica publicada na VISÃO 1298 de 18 de janeiro)
domingo, 1 de março de 2026
O Sentido Último da Vida Projectado nas Origens
Em vez de história de Adão e Eva
Autor: Armindo dos Santos Vaz
Editor: Edições Carmelo
Edição: 1ª edição
Ano:
Capa: Brochura
Ilustrações: Ilustrado no texto com fotografias a preto e branco, e com mapa colorido na folha de guarda anterior.
Dimensões: 24,5 cm x 16,5 cm
Estado: Bom
Preço: 25,00 €
Referência: 2603002
Sinopse: Esta perspetiva convida-nos a trocar a cosmologia bíblica (o Jardim do Éden) por uma cosmologia científica e evolutiva, onde o "sentido" não é um decreto divino dado no início, mas uma propriedade emergente da própria matéria.
Franco
Tradução:
Edição:
Preço: 15,00 €








