terça-feira, 31 de março de 2026

O Canto III Livraria Alfarrabista, deseja aos seus leitores, clientes, amigos e colaboradores uma Santa Páscoa


Nesta época de renovação, o Canto III Livraria Alfarrabista, deseja aos seus leitores, clientes, amigos e colaboradores uma Santa Páscoa. Que o espírito de luz e a esperança de novos começos inspirem momentos de partilha, serenidade e leitura enriquecedora, fortalecendo os laços que nos unem. Que a renovação chegue a todos os corações.

sábado, 21 de março de 2026

Na noite de 20 para 21 de Março de 1888, faz esta noite 138 anos, um incêndio destruía o Teatro Baquet, na Baixa do Porto

Na noite de 20 para 21 de Março de 1888, faz esta noite 138 anos, um incêndio destruía o Teatro Baquet, na Baixa do Porto Rua de Santo António e morrem cerca de 120 pessoas, 88 das quais estão sepultadas numa vala comum no cemitério de Agramonte.

Mandado construir pelo alfaiate portuense António Pereira Baquet, o Teatro Baquet tinha frente para as ruas de Santo António e de Sá da Bandeira. Inaugurado no Carnaval de 1859, constituiu uma sala de espetáculos emblemática da cidade, reconhecido pela oferta vasta e acessível a todas as camadas sociais.

António Pereira Baquet morreria cerca de 10 anos depois, mas o seu projeto continuou vivo. No entanto, na noite de 20 para 21 de março de 1888, quando se representava uma ópera cómica e a sala se encontrava com lotação esgotada, deflagrou um violento incêndio nos bastidores. O fogo destruiu o teatro por completo, perecendo na tragédia cerca de 120 pessoas.

Em memória das vítimas do incêndio construiu-se, no Cemitério de Agramonte, o mausoléu com materiais (destroços) pertencentes ao próprio edifício do Teatro Baquet, pedaços de ferro torcidos pelo fogo e uma enorme coroa de martírios também em ferro, simbolizando a morte das vítimas.

O Canto III Livraria Alfarrabista, em singela homenagem, lembramos hoje essa catástrofe que enlutou o Porto e todo o país.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de março de 1825

"Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de  março de 1825, em Lisboa, e suicidou-se a 1 de  junho de 1890 em S. Miguel de Seide, Famalicão. Órfão de mãe aos dois anos e de pai aos nove, passou, a partir desta idade, a viver em Vila Real com uma tia paterna. Aos 16 anos, casou-se com Joaquina Pereira, em Friúme, Ribeira de Pena. Em 1844, instalou-se no Porto com o intuito de cursar Medicina, acabando por não passar do 2.o ano. Em 1845, estreou-se na poesia e no ano seguinte no teatro e também no jornalismo -  actividade, aliás, que nunca abandonaria. Viúvo desde 1847, fixou-se definitivamente no Porto a partir de 1848 (onde, em 1846, já estivera preso por ter raptado Patrícia Emília, um dos seus tumultuosos amores, de quem teria uma filha). De 1849 a 1851 consolidou a sua  actividade jornalística, retomou o teatro, estreou-se no romance com Anátema (1851), conheceu a alta-roda portuense bem como os meios boémios e foi protagonista de aventuras romanescas.

Em 1853, abandonou o curso de Teologia no Seminário Episcopal, fundou vários jornais e em 1855 tornou-se o  redactor principal de O Porto e de Carta. Nessa altura, o seu nome começava a soar nos meios jornalísticos e literários do Porto e de Lisboa: já alimentara várias polémicas e publicara alguns romances. Mas foi a partir de 1856 que atingiu a maturidade literária (no domínio dos processos de escrita) com o romance (por alguns autores considerado novela) Onde Está a Felicidade?. Foi ainda neste ano que iniciou o relacionamento amoroso com Ana Plácido, casada desde 1850 com Manuel Pinheiro Alves.

Por proposta de Alexandre Herculano, foi eleito sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa em 1858 - ano em que nasceu Manuel Plácido, filho de Camilo e de Ana Plácido. Em 1860, Manuel Pinheiro Alves desencadeou o processo de adultério: em  Junho foi presa a mulher e a 1 de  outubro Camilo entregou-se na cadeia da Relação do Porto. D. Pedro V visitou-o, em 1861, na cadeia, e a 16 de  Outubro desse ano os réus foram absolvidos. Era intensa a  atividade literária de Camilo (não sendo a esse facto de todo alheias as dificuldades económicas): entre 1862 e 1863, o escritor publicou onze novelas e romances atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Em 1864, fixou-se na quinta de S. Miguel de Seide (propriedade de Manuel Pinheiro Alves que, entretanto, falecera em 1863) e nasceu-lhe o terceiro filho, Nuno. Quatro anos depois, dirigiu a Gazeta Literária do Porto; em 1870 iniciou o processo do viscondado (o título ser-lhe-ia atribuído em 1885) e, em 1876, tomou consciência da loucura do segundo filho, Jorge. No ano seguinte morreu Manuel Plácido. A partir de 1881, agravaram-se os padecimentos, incluindo a doença dos olhos que o  afectava. Em 1889, por ocasião do seu aniversário, foi  objecto de calorosa homenagem de escritores, artistas e estudantes, promovida por João de Deus. No ano seguinte, já cego, impossibilitado de escrever (a escrita foi, no fim de contas, a sua grande paixão), suicidou-se com um tiro de revólver. A casa de Seide é hoje o museu do escritor e na sua vizinhança foram inauguradas, a 1 de  junho de 2005, as novas instalações do Centro de Estudos Camilianos.

Camilo foi o primeiro escritor profissional entre nós. Dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular narrativas, conhecedor profundo do idioma, observador, ora complacente ora sarcástico, da sociedade (sobretudo da aristocracia decadente e da burguesia boçal e endinheirada), inclinado (por gosto, por temperamento e formação) para a intriga e análise passionais (muitas vezes atingindo o sublime da tragédia, como no Amor de Perdição), este genial autor romântico deixou-nos uma obra incontornável (apesar de irregular) na evolução da prosa literária portuguesa. De facto, foi na novela passional e no "romance de costumes" que Camilo se notabilizou, legando-nos uma série de personagens ainda hoje inesquecíveis, quadros e situações que valem pela espontaneidade narrativa, pelo ritmo avassalador da ação, pela sugestão realista e ainda pela novidade temática, como em A Queda dum Anjo. A sua versatilidade literária e criadora (aliada à necessidade de não perder o público com a progressiva influência de Eça e de Teixeira de Queirós) levaram-no a assimilar (depois de ter parodiado) a atitude estética e os processos de escrita do Realismo e do Naturalismo, visíveis nesse notável livro que é A Brasileira de Prazins e em certa medida já iniciados com Novelas do Minho.

A sua arte de narrar constituiu, a par da de Eça de Queirós, um modelo literário para muitos escritores, principalmente até meados do século XX.

As suas obras principais são: A Filha do Arcediago, 1855; Onde está a Felicidade?, 1856; Vingança, 1858; O Romance dum Homem Rico, 1861; Amor de Perdição, 1862; Memórias do Cárcere, 1862; O Bem e o Mal, 1863; Vinte Horas de Liteira, 1864; A Queda dum Anjo, 1865; O Retrato de Ricardina, 1868; A Mulher Fatal, 1870; O Regicida, 1874; Novelas do Minho, 1875-1877; Eusébio Macário, 1879; A Brasileira de Prazins, 1882.

Além destas obras em prosa narrativa, assinale-se ainda os outros géneros (ou domínios) pelos quais se repartiu o labor de Camilo: poesia, teatro (de que se devem destacar O Morgado de Fafe em Lisboa, 1861, e O Morgado de Fafe Amoroso, 1865), dezenas de traduções (do francês e do inglês), polémica, prefácios, biografia, história, crítica literária, jornalismo e epistolografia (compreendendo mais de duas mil cartas)."

Camilo Castelo Branco. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Morreu esta quinta-feira, aos 90 anos ... Mário Zambujal (1936-2026), jornalista, escritor, um bom malandro.

Sim, partiu hoje, quinta-feira 12 de março de 2026, aos 90 anos. o "bom malandro". O jornalista e escritor Mário Zambujal.

Figura incontornável da cultura e do jornalismo em Portugal, Zambujal ficou eternamente ligado à sua obra, "Crónica dos Bons Malandros" (1980), que se tornou um fenómeno de popularidade.

domingo, 8 de março de 2026

Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro

Título: Rosa do Mundo
            2001 Poemas para o Futuro
Editor: Assírio & Alvim
Coleção: Documenta Poética
Idioma: Português
Dimensões: 15,2 cm x 21,2 cm x 7,1 cm
Encadernação: Capa dura com sobrecapa
Número de páginas: 1920 páginas
Género: Poesia
Idioma: Português
Estado de conservação: Bom

Preço:  40,00 €
Referência: 2603003
 
Sinopse: Resultante de um desafio colocado pelo responsável da área do Pensamento e da Literatura do Porto Capital Europeia da Cultura ao editor Manuel Hermínio Monteiro, da Assírio & Alvim, surge este magnífico livro, "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", uma bíblia de quase 2000 páginas e 2001 poemas, como o título indica.

Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro é uma antologia monumental publicada pela editora Assírio & Alvim no âmbito do evento Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Com cerca de 1920 páginas, a obra reúne poemas de diversas épocas e civilizações, sendo considerada um dos projetos editoriais mais ambiciosos da poesia em Portugal.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Morreu um gigante das letras portuguesas, António Lobo Antunes


Morreu esta quinta-feira António Lobo Antunes, um dos mais consagrados escritores portugueses. Deixa uma obra vasta, com cerca de 40 livros editados em todo o mundo. Foi o vencedor do Prémio Camões em 2007.

António Lobo Antunes nasceu a 1 de setembro de 1942, na freguesia de Benfica, em Lisboa, no seio de uma família de alta burguesia. O pai foi um destacado neurologista português. Estudou no Liceu Camões e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em 1969.

“Há anos assisti na televisão inglesa à última entrevista de Evelyn Waugh, um escritor notável e brilhante e um homem complexo, contraditório, de temperamento difícil, muitas vezes insuportável, autor de uma obra importante e extensa, apesar de a sua vida não ter sido muito longa. Morreu de uma forma mais frequente do que se imagina: sentado na retrete a tentar fazer cócó, que é uma excelente maneira de explodir um vaso do cérebro. A entrevista foi talvez a melhor a que assisti em toda a minha vida porque o jornalista era extraordinário de talento, inteligência e humor e toda a gente sabe que a qualidade de uma entrevista depende do mérito e do engenho de quem a conduz. No caso de Evelyn Waugh a conversa, de parte a parte, foi espantosa e eu passei uma hora feliz a escutá-los porque nada se compara ao espectáculo de duas inteligências em movimento. Falaram da vida do escritor, da sua obra, do mundo, de tudo e eu ali pasmado a escutá-los, a aprender e a fruir. A última questão era assim – O que espera dos leitores depois da sua morte?

e Evelyn Waugh, colérico, sarcástico, irónico, em muitas ocasiões insuportável, outras furioso, outras sereno, sempre em guerra consigo mesmo e com os outros, tornou-se de súbito uma espécie de menino grande  (quem não é um menino grande?) e respondeu num pedido doce, com uma súbita sinceridade desarmante:

– Que rezem pela minha alma pecadora

Católico inglês, como o seu amigo Graham Greene, coisa não muito frequente no seu país protestante, repetiu, mas baixo – Que rezem pela minha alma pecadora e a entrevista encerrou-se ali. Não menciona a posteridade, a esperança de permanência da sua obra, não aludiu a sonhos de glória póstuma: limitou-se a pedir que rezassem pela sua alma pecadora. E eu que sou seu leitor, rezo, apesar da minha tão complicada e por vezes agressiva relação com Deus (Voltaire, por exemplo, dizia acerca d’Ele – Cumprimentamo-nos, mas não nos falamos) por uma alma que, com tanta sinceridade, se desnudou por completo ali à minha frente e de muitos milhares de outros espectadores, a pedir-nos ajuda com uma simplicidade desarmante. A sua obra já não lhe pertencia, pertencia aos leitores do futuro que a julgariam de diversas formas, sujeitas às constantes flutuações do gosto, ora esquecida ora lembrada, ora inexistente ora viva de novo, ora exaltada ora diminuída, estendida de muitos e variados modos e, finalmente, esquecida para sempre, porque seremos inevitavelmente, esquecidos para sempre. Santo Agostinho, por exemplo, sustentava que, se deixasse cair um pingo de água, uma vez por ano, numa imensa esfera de ferro, quando finalmente a água deixasse marca no ferro ainda nem a eternidade havia começado, e as nossas chances de fazermos parte dela são, evidentemente, nulas. Nem é preciso ir tão longe. Nem é necessário ir tão longe: Aristóteles deixou os nomes dos dez maiores tragediógrafos gregos ou, pelo menos aqueles que ele considerava os dez maiores tragediógrafos gregos. Chegaram até nós três apenas, escritores sublimes, e nenhum deles consta da lista de Aristóteles: Eurípedes, Ésquilo e Sófocles, autores, aliás, sublimes. E, mesmo desses, o que perdura está longe de ser o seu trabalho completo. Estamos condenados ao desaparecimento total do nosso combate, por maior e mais genial que ele tenha sido. Oscar Wilde tinha razão (tinha quase sempre razão, o sacana) quando, ao mencionar Homero, escreveu “Homero ou outro grego com o mesmo nome”, visto que o Homero que temos, o da Ilíada e da Odisseia, não é certamente o original, a sua existência parece agora mais que problemática, e desconhecemos o verdadeiro autor daquelas onomatopeias únicas de que Pound falava. Sobram talvez os restos de uma alminha, para usar a expressão de Marco de Aurélio, perdida entre ínfimos restos de alminhas, um ditongo aqui, quase uma palavra acolá, e tudo o resto é, provavelmente, apócrifo. De qualquer modo o que compusemos, com tanta angústia, dificuldade e esperança, perder-se-á para sempre, e a certeza disto torna as nossas vidas mais estreitas e insignificantes ainda, condenadas a um esquecimento absoluto. Mais cedo ou mais tarde as nossas almas pecadoras vogarão sozinhas, minúsculas luzes bruxuleantes num nada absoluto. Resta-nos esperar (eu, pelo menos espero, ter o destino do meu poeta favorito, Quevedo, nascido no ano em que Camões morreu (1580) que termina num dos seus mais geniais sonetos, falando de si mesmo após a sua morte:

Serei pó mas pó apaixonado e nesse pó inapreensível continuaremos a ser. Uma ocasião, numa viagem de Bucareste para Constança parámos, o poeta Dinu Flamand e eu, num mosteiro isolado, com mais de seiscentos (seiscentos) seminaristas. O bispo disse-nos – Vamos rezar uma oração pelas almas eternas dos escritores falecidos e seiscentas vozes a cantarem naquela catedral imensa foi a coisa mais grandiosa e comovente que alguma vez escutei. Todo eu tremia como uma folhinha ao vento, de olhos cheios de lágrimas. E tive, pela primeira vez na vida, a certeza de ser eterno. Pensei em Evelyn Waugh, pensei em mim. E consolou-me, Senhor, ser um grãozinho eterno. Um grãozinho sem obra e sem nome, mas de quem Te não esqueces. Por favor não ponham boneco nenhum nesta crónica. É que já está suficientemente iluminada. E é, de certeza, a mais comprida que fiz."

(Crónica publicada na VISÃO 1298 de 18 de janeiro)



domingo, 1 de março de 2026

O Sentido Último da Vida Projectado nas Origens

Título: O Sentido Último da Vida Projectado nas Origens
             Em vez de história de Adão e Eva
Autor: Armindo dos Santos Vaz
Editor: Edições Carmelo
Edição: 1ª edição
Ano: 
Capa: Brochura
Ilustrações: Ilustrado no texto com fotografias a preto e branco, e com mapa colorido na folha de guarda anterior.
Dimensões: 24,5 cm x 16,5 cm
Estado: Bom

Preço:    25,00 €
Referência: 2603002

Sinopse: Esta perspetiva convida-nos a trocar a cosmologia bíblica (o Jardim do Éden) por uma cosmologia científica e evolutiva, onde o "sentido" não é um decreto divino dado no início, mas uma propriedade emergente da própria matéria.

Franco

Título: Franco
Autor: Andrée Bachold
Tradução:
Editor: Verbo
Edição: 
Ano: 2003 (Abril)
Capa: Brochura
Género: 
Nº páginas:  664 páginas
Dimensões: 15,6 cm x 23,3 cm
Estado: Bom

Preço:    15,00 €
Referência: 2603001

Sinopse: Andrée Bachoud, da Universidade de Sorbonne, é especialista em História de Espanha, e publica esta autobiografia do generalíssimo Franco, classifica de "boa, elucidativa e clara". Chegado ao poder após uma sangrenta guerra civil (1936-39) contra o governo da república democrática, Franco dominaria grande parte do século XX espanhol, que o livro também aborda. A autora refere que a sua formação laica e republicana a levaram, naturalmente, a odiar Franco e tudo aquilo que este representou, sobretudo todo o tipo de abusos de um regime ditatorial. Mas o seu trabalho foi feito com a maior objetividade.