sábado, 21 de março de 2026

Na noite de 20 para 21 de Março de 1888, faz esta noite 138 anos, um incêndio destruía o Teatro Baquet, na Baixa do Porto

Na noite de 20 para 21 de Março de 1888, faz esta noite 138 anos, um incêndio destruía o Teatro Baquet, na Baixa do Porto Rua de Santo António e morrem cerca de 120 pessoas, 88 das quais estão sepultadas numa vala comum no cemitério de Agramonte.

Mandado construir pelo alfaiate portuense António Pereira Baquet, o Teatro Baquet tinha frente para as ruas de Santo António e de Sá da Bandeira. Inaugurado no Carnaval de 1859, constituiu uma sala de espetáculos emblemática da cidade, reconhecido pela oferta vasta e acessível a todas as camadas sociais.

António Pereira Baquet morreria cerca de 10 anos depois, mas o seu projeto continuou vivo. No entanto, na noite de 20 para 21 de março de 1888, quando se representava uma ópera cómica e a sala se encontrava com lotação esgotada, deflagrou um violento incêndio nos bastidores. O fogo destruiu o teatro por completo, perecendo na tragédia cerca de 120 pessoas.

Em memória das vítimas do incêndio construiu-se, no Cemitério de Agramonte, o mausoléu com materiais (destroços) pertencentes ao próprio edifício do Teatro Baquet, pedaços de ferro torcidos pelo fogo e uma enorme coroa de martírios também em ferro, simbolizando a morte das vítimas.

O Canto III Livraria Alfarrabista, em singela homenagem, lembramos hoje essa catástrofe que enlutou o Porto e todo o país.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de março de 1825

"Camilo Castelo Branco nasceu a 16 de  março de 1825, em Lisboa, e suicidou-se a 1 de  junho de 1890 em S. Miguel de Seide, Famalicão. Órfão de mãe aos dois anos e de pai aos nove, passou, a partir desta idade, a viver em Vila Real com uma tia paterna. Aos 16 anos, casou-se com Joaquina Pereira, em Friúme, Ribeira de Pena. Em 1844, instalou-se no Porto com o intuito de cursar Medicina, acabando por não passar do 2.o ano. Em 1845, estreou-se na poesia e no ano seguinte no teatro e também no jornalismo -  actividade, aliás, que nunca abandonaria. Viúvo desde 1847, fixou-se definitivamente no Porto a partir de 1848 (onde, em 1846, já estivera preso por ter raptado Patrícia Emília, um dos seus tumultuosos amores, de quem teria uma filha). De 1849 a 1851 consolidou a sua  actividade jornalística, retomou o teatro, estreou-se no romance com Anátema (1851), conheceu a alta-roda portuense bem como os meios boémios e foi protagonista de aventuras romanescas.

Em 1853, abandonou o curso de Teologia no Seminário Episcopal, fundou vários jornais e em 1855 tornou-se o  redactor principal de O Porto e de Carta. Nessa altura, o seu nome começava a soar nos meios jornalísticos e literários do Porto e de Lisboa: já alimentara várias polémicas e publicara alguns romances. Mas foi a partir de 1856 que atingiu a maturidade literária (no domínio dos processos de escrita) com o romance (por alguns autores considerado novela) Onde Está a Felicidade?. Foi ainda neste ano que iniciou o relacionamento amoroso com Ana Plácido, casada desde 1850 com Manuel Pinheiro Alves.

Por proposta de Alexandre Herculano, foi eleito sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa em 1858 - ano em que nasceu Manuel Plácido, filho de Camilo e de Ana Plácido. Em 1860, Manuel Pinheiro Alves desencadeou o processo de adultério: em  Junho foi presa a mulher e a 1 de  outubro Camilo entregou-se na cadeia da Relação do Porto. D. Pedro V visitou-o, em 1861, na cadeia, e a 16 de  Outubro desse ano os réus foram absolvidos. Era intensa a  atividade literária de Camilo (não sendo a esse facto de todo alheias as dificuldades económicas): entre 1862 e 1863, o escritor publicou onze novelas e romances atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Em 1864, fixou-se na quinta de S. Miguel de Seide (propriedade de Manuel Pinheiro Alves que, entretanto, falecera em 1863) e nasceu-lhe o terceiro filho, Nuno. Quatro anos depois, dirigiu a Gazeta Literária do Porto; em 1870 iniciou o processo do viscondado (o título ser-lhe-ia atribuído em 1885) e, em 1876, tomou consciência da loucura do segundo filho, Jorge. No ano seguinte morreu Manuel Plácido. A partir de 1881, agravaram-se os padecimentos, incluindo a doença dos olhos que o  afectava. Em 1889, por ocasião do seu aniversário, foi  objecto de calorosa homenagem de escritores, artistas e estudantes, promovida por João de Deus. No ano seguinte, já cego, impossibilitado de escrever (a escrita foi, no fim de contas, a sua grande paixão), suicidou-se com um tiro de revólver. A casa de Seide é hoje o museu do escritor e na sua vizinhança foram inauguradas, a 1 de  junho de 2005, as novas instalações do Centro de Estudos Camilianos.

Camilo foi o primeiro escritor profissional entre nós. Dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular narrativas, conhecedor profundo do idioma, observador, ora complacente ora sarcástico, da sociedade (sobretudo da aristocracia decadente e da burguesia boçal e endinheirada), inclinado (por gosto, por temperamento e formação) para a intriga e análise passionais (muitas vezes atingindo o sublime da tragédia, como no Amor de Perdição), este genial autor romântico deixou-nos uma obra incontornável (apesar de irregular) na evolução da prosa literária portuguesa. De facto, foi na novela passional e no "romance de costumes" que Camilo se notabilizou, legando-nos uma série de personagens ainda hoje inesquecíveis, quadros e situações que valem pela espontaneidade narrativa, pelo ritmo avassalador da ação, pela sugestão realista e ainda pela novidade temática, como em A Queda dum Anjo. A sua versatilidade literária e criadora (aliada à necessidade de não perder o público com a progressiva influência de Eça e de Teixeira de Queirós) levaram-no a assimilar (depois de ter parodiado) a atitude estética e os processos de escrita do Realismo e do Naturalismo, visíveis nesse notável livro que é A Brasileira de Prazins e em certa medida já iniciados com Novelas do Minho.

A sua arte de narrar constituiu, a par da de Eça de Queirós, um modelo literário para muitos escritores, principalmente até meados do século XX.

As suas obras principais são: A Filha do Arcediago, 1855; Onde está a Felicidade?, 1856; Vingança, 1858; O Romance dum Homem Rico, 1861; Amor de Perdição, 1862; Memórias do Cárcere, 1862; O Bem e o Mal, 1863; Vinte Horas de Liteira, 1864; A Queda dum Anjo, 1865; O Retrato de Ricardina, 1868; A Mulher Fatal, 1870; O Regicida, 1874; Novelas do Minho, 1875-1877; Eusébio Macário, 1879; A Brasileira de Prazins, 1882.

Além destas obras em prosa narrativa, assinale-se ainda os outros géneros (ou domínios) pelos quais se repartiu o labor de Camilo: poesia, teatro (de que se devem destacar O Morgado de Fafe em Lisboa, 1861, e O Morgado de Fafe Amoroso, 1865), dezenas de traduções (do francês e do inglês), polémica, prefácios, biografia, história, crítica literária, jornalismo e epistolografia (compreendendo mais de duas mil cartas)."

Camilo Castelo Branco. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Morreu esta quinta-feira, aos 90 anos ... Mário Zambujal (1936-2026), jornalista, escritor, um bom malandro.

Sim, partiu hoje, quinta-feira 12 de março de 2026, aos 90 anos. o "bom malandro". O jornalista e escritor Mário Zambujal.

Figura incontornável da cultura e do jornalismo em Portugal, Zambujal ficou eternamente ligado à sua obra, "Crónica dos Bons Malandros" (1980), que se tornou um fenómeno de popularidade.

domingo, 8 de março de 2026

Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro

Título: Rosa do Mundo
            2001 Poemas para o Futuro
Editor: Assírio & Alvim
Coleção: Documenta Poética
Idioma: Português
Dimensões: 15,2 cm x 21,2 cm x 7,1 cm
Encadernação: Capa dura com sobrecapa
Número de páginas: 1920 páginas
Género: Poesia
Idioma: Português
Estado de conservação: Bom

Preço:  40,00 €
Referência: 2603003
 
Sinopse: Resultante de um desafio colocado pelo responsável da área do Pensamento e da Literatura do Porto Capital Europeia da Cultura ao editor Manuel Hermínio Monteiro, da Assírio & Alvim, surge este magnífico livro, "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", uma bíblia de quase 2000 páginas e 2001 poemas, como o título indica.

Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro é uma antologia monumental publicada pela editora Assírio & Alvim no âmbito do evento Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Com cerca de 1920 páginas, a obra reúne poemas de diversas épocas e civilizações, sendo considerada um dos projetos editoriais mais ambiciosos da poesia em Portugal.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Morreu um gigante das letras portuguesas, António Lobo Antunes


Morreu esta quinta-feira António Lobo Antunes, um dos mais consagrados escritores portugueses. Deixa uma obra vasta, com cerca de 40 livros editados em todo o mundo. Foi o vencedor do Prémio Camões em 2007.

António Lobo Antunes nasceu a 1 de setembro de 1942, na freguesia de Benfica, em Lisboa, no seio de uma família de alta burguesia. O pai foi um destacado neurologista português. Estudou no Liceu Camões e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em 1969.

“Há anos assisti na televisão inglesa à última entrevista de Evelyn Waugh, um escritor notável e brilhante e um homem complexo, contraditório, de temperamento difícil, muitas vezes insuportável, autor de uma obra importante e extensa, apesar de a sua vida não ter sido muito longa. Morreu de uma forma mais frequente do que se imagina: sentado na retrete a tentar fazer cócó, que é uma excelente maneira de explodir um vaso do cérebro. A entrevista foi talvez a melhor a que assisti em toda a minha vida porque o jornalista era extraordinário de talento, inteligência e humor e toda a gente sabe que a qualidade de uma entrevista depende do mérito e do engenho de quem a conduz. No caso de Evelyn Waugh a conversa, de parte a parte, foi espantosa e eu passei uma hora feliz a escutá-los porque nada se compara ao espectáculo de duas inteligências em movimento. Falaram da vida do escritor, da sua obra, do mundo, de tudo e eu ali pasmado a escutá-los, a aprender e a fruir. A última questão era assim – O que espera dos leitores depois da sua morte?

e Evelyn Waugh, colérico, sarcástico, irónico, em muitas ocasiões insuportável, outras furioso, outras sereno, sempre em guerra consigo mesmo e com os outros, tornou-se de súbito uma espécie de menino grande  (quem não é um menino grande?) e respondeu num pedido doce, com uma súbita sinceridade desarmante:

– Que rezem pela minha alma pecadora

Católico inglês, como o seu amigo Graham Greene, coisa não muito frequente no seu país protestante, repetiu, mas baixo – Que rezem pela minha alma pecadora e a entrevista encerrou-se ali. Não menciona a posteridade, a esperança de permanência da sua obra, não aludiu a sonhos de glória póstuma: limitou-se a pedir que rezassem pela sua alma pecadora. E eu que sou seu leitor, rezo, apesar da minha tão complicada e por vezes agressiva relação com Deus (Voltaire, por exemplo, dizia acerca d’Ele – Cumprimentamo-nos, mas não nos falamos) por uma alma que, com tanta sinceridade, se desnudou por completo ali à minha frente e de muitos milhares de outros espectadores, a pedir-nos ajuda com uma simplicidade desarmante. A sua obra já não lhe pertencia, pertencia aos leitores do futuro que a julgariam de diversas formas, sujeitas às constantes flutuações do gosto, ora esquecida ora lembrada, ora inexistente ora viva de novo, ora exaltada ora diminuída, estendida de muitos e variados modos e, finalmente, esquecida para sempre, porque seremos inevitavelmente, esquecidos para sempre. Santo Agostinho, por exemplo, sustentava que, se deixasse cair um pingo de água, uma vez por ano, numa imensa esfera de ferro, quando finalmente a água deixasse marca no ferro ainda nem a eternidade havia começado, e as nossas chances de fazermos parte dela são, evidentemente, nulas. Nem é preciso ir tão longe. Nem é necessário ir tão longe: Aristóteles deixou os nomes dos dez maiores tragediógrafos gregos ou, pelo menos aqueles que ele considerava os dez maiores tragediógrafos gregos. Chegaram até nós três apenas, escritores sublimes, e nenhum deles consta da lista de Aristóteles: Eurípedes, Ésquilo e Sófocles, autores, aliás, sublimes. E, mesmo desses, o que perdura está longe de ser o seu trabalho completo. Estamos condenados ao desaparecimento total do nosso combate, por maior e mais genial que ele tenha sido. Oscar Wilde tinha razão (tinha quase sempre razão, o sacana) quando, ao mencionar Homero, escreveu “Homero ou outro grego com o mesmo nome”, visto que o Homero que temos, o da Ilíada e da Odisseia, não é certamente o original, a sua existência parece agora mais que problemática, e desconhecemos o verdadeiro autor daquelas onomatopeias únicas de que Pound falava. Sobram talvez os restos de uma alminha, para usar a expressão de Marco de Aurélio, perdida entre ínfimos restos de alminhas, um ditongo aqui, quase uma palavra acolá, e tudo o resto é, provavelmente, apócrifo. De qualquer modo o que compusemos, com tanta angústia, dificuldade e esperança, perder-se-á para sempre, e a certeza disto torna as nossas vidas mais estreitas e insignificantes ainda, condenadas a um esquecimento absoluto. Mais cedo ou mais tarde as nossas almas pecadoras vogarão sozinhas, minúsculas luzes bruxuleantes num nada absoluto. Resta-nos esperar (eu, pelo menos espero, ter o destino do meu poeta favorito, Quevedo, nascido no ano em que Camões morreu (1580) que termina num dos seus mais geniais sonetos, falando de si mesmo após a sua morte:

Serei pó mas pó apaixonado e nesse pó inapreensível continuaremos a ser. Uma ocasião, numa viagem de Bucareste para Constança parámos, o poeta Dinu Flamand e eu, num mosteiro isolado, com mais de seiscentos (seiscentos) seminaristas. O bispo disse-nos – Vamos rezar uma oração pelas almas eternas dos escritores falecidos e seiscentas vozes a cantarem naquela catedral imensa foi a coisa mais grandiosa e comovente que alguma vez escutei. Todo eu tremia como uma folhinha ao vento, de olhos cheios de lágrimas. E tive, pela primeira vez na vida, a certeza de ser eterno. Pensei em Evelyn Waugh, pensei em mim. E consolou-me, Senhor, ser um grãozinho eterno. Um grãozinho sem obra e sem nome, mas de quem Te não esqueces. Por favor não ponham boneco nenhum nesta crónica. É que já está suficientemente iluminada. E é, de certeza, a mais comprida que fiz."

(Crónica publicada na VISÃO 1298 de 18 de janeiro)



domingo, 1 de março de 2026

O Sentido Último da Vida Projectado nas Origens

Título: O Sentido Último da Vida Projectado nas Origens
             Em vez de história de Adão e Eva
Autor: Armindo dos Santos Vaz
Editor: Edições Carmelo
Edição: 1ª edição
Ano: 
Capa: Brochura
Ilustrações: Ilustrado no texto com fotografias a preto e branco, e com mapa colorido na folha de guarda anterior.
Dimensões: 24,5 cm x 16,5 cm
Estado: Bom

Preço:    25,00 €
Referência: 2603002

Sinopse: Esta perspetiva convida-nos a trocar a cosmologia bíblica (o Jardim do Éden) por uma cosmologia científica e evolutiva, onde o "sentido" não é um decreto divino dado no início, mas uma propriedade emergente da própria matéria.

Franco

Título: Franco
Autor: Andrée Bachold
Tradução:
Editor: Verbo
Edição: 
Ano: 2003 (Abril)
Capa: Brochura
Género: 
Nº páginas:  664 páginas
Dimensões: 15,6 cm x 23,3 cm
Estado: Bom

Preço:    15,00 €
Referência: 2603001

Sinopse: Andrée Bachoud, da Universidade de Sorbonne, é especialista em História de Espanha, e publica esta autobiografia do generalíssimo Franco, classifica de "boa, elucidativa e clara". Chegado ao poder após uma sangrenta guerra civil (1936-39) contra o governo da república democrática, Franco dominaria grande parte do século XX espanhol, que o livro também aborda. A autora refere que a sua formação laica e republicana a levaram, naturalmente, a odiar Franco e tudo aquilo que este representou, sobretudo todo o tipo de abusos de um regime ditatorial. Mas o seu trabalho foi feito com a maior objetividade.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

A Morte Lenta

Título: 
A Morte Lenta
Autor: Émile Henry
Idioma: Português
Editor: Editorial  Ibérica
Ano: 1945
Nº páginas: 189
Edição: 1ª edição, temos também disponível um exemplar da 2ª edição
Dimensões: 12 cm x 19cm
Nota: Tem sido frequentemente referido e com erro que a tiragem do livro ficou limitada a 100 exemplares o que não corresponde minimamente à verdade, tem é sido feita uma interpretação extensiva do que é referido no livro.

Tive o privilégio de ter conhecido pessoalmente o Sr. Èmile Henry no ano de 1975,  que foi o fundador em 1954, da empresa Têxtil Nortenha, empresa esta que ainda existe.
Para quaisquer mais esclarecimentos adicionais que eventualmente possa ter interesse, podem contactar para o CANTO III.

Preço:  400,00 € (1ª edição); 250,00 € (2ª edição)
Referência: 2507025 R

Sinopse: Este não é apenas um livro. É um raro documento que tem despertado os mais intensos estudos sobre a vida nos campos de concentração, durante o III Reich.

As fotografias nele  reproduzidas foram tiradas no momento da chegada das tropas americanas do general Patton e cedidas ao autor pelos serviços dos exércitos americano e francês a seu pedido.

Trata-se do primeiro livro publicado em português sobre o assunto.

"Estou certo que a minha voz não conseguirá convencer os cépticos, o que é compreensível, porque é difícil imaginar tanto sofrimento. Mas outras vozes, mais poderosas do que a minha, se elevaram para chamar a verdade" (Henry, Emile (p.186)).

"O que mais me custava era não dormir. A fome também não faltava, sobretudo do meio-dia às três horas, em que tinha a impressão de que uma tenaz me torcia até à tortura. Mas o não dormir era o pior. Mesmo contra a vontade, os olhos fechavam-se-me e tinha que fazer um esforço violento para não cair", relatou Émile Levy, falecido há dez anos em Loulé, no seu livro, que teve duas edições de 100 exemplares, em 1946.
 
"O meu marido fez um testemunho para os portugueses. Dizia que as pessoas do país onde vivia tinham de saber o que se passou", recordou hoje à Lusa a mulher, Thérèse Henry, que assistiu, juntamente com as duas filhas e netos, à sessão que antecedeu a inauguração da exposição, no Centro Cultural de Belém.
 
O seu marido esteve mais de dois anos no campo de concentração nazi de Buchenwald, depois de ter sido apanhado pelos alemães a tentar regressar a Portugal - onde já vivia antes - depois de cumprir o serviço militar obrigatório em França.
 
"Não sei como ele aguentou. De manhã à noite era obrigado a carregar pedras à mão de um sítio para o outro. E quando terminava, levava as pedras de volta para o primeiro sítio. Era mesmo maldade dos alemães", relatou a viúva de Émile Henry, que descreveu que o seu marido teve de se esconder entre dois colchões para não ser morto pelos alemães.
 
Da sua experiência em Buchenwald, o homem contou pouco à família. "Não, dizia que tinha feito uma confissão naquele livro que escreveu", comentou a mulher.
 
A investigação que deu origem à exposição foi coordenada pelo historiador Fernando Rosas e feita por uma equipa internacional do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
 
Segundo o historiador, "cerca de 400 portugueses, talvez um pouco mais" estiveram confinados durante a Segunda Guerra Mundial em campos de concentração, prisões ou 'stalag' [campos de prisioneiros de guerra], sujeitos a brutais condições de trabalho forçado".
 
Destes, "pelo menos 30 não sobreviveram".
 
"São valores provisórios e provavelmente conservadores (...) Há muito para pesquisar ainda", ressalvou Fernando Rosas.
 
"Provavelmente superior, mas até agora impossível de determinar, terá sido o número dos que foram voluntariamente trabalhar para a Alemanha [mas que depois se converteriam em trabalhadores forçados] ou que para esse destino foram forçados a sair, designadamente de França", comentou o investigador.
 
Há "variado rasto" na documentação consular e diplomática do Estado português sobre esta realidade, mas "não existe evidência de qualquer diligência diplomática consistente por parte do Governo do Estado Novo no sentido de acudir ou defender os seus cidadãos escravos, coercivamente deslocados, nos campos de concentração, prisioneiros dos 'stalag' ou forçados a trabalhar na Alemanha quando queriam fugir à guerra e à devastação", disse Rosas.

Os Pastores da noite / Dona Flor e seus dois maridos (Obra conjunta de dois romances)

Título: Os Pastores da noite
             Dona Flor e seus dois maridos
Autor: Jorge Amado
Texto integral e definitivo fixado por: Paloma Amado e Pedro Costa sob orientação do autor
Editor: Publicações Dom Quixote
Ilustrações: Os Pastores por Aldemir Martins
                    Dona Flor e seus dois maridos por Floriano Teixeira
Coleção: Ficção Universal
Volume: Obra conjunta, volume IX
Edição: 1ª edição conjunta
Ano: 2000 (Abril)
Capa: Brochura
Nº páginas:  824 páginas
Dimensões: 16 cm x 23,5 cm
Estado: Bom

Preço:    20,00 €
Referência: 2602032

Sinopse: Escrito entre 1963 e 1964, «Os Pastores da Noite» reúne três narrativas diferentes onde os mesmos personagens se movem autónomos, e as histórias se podem ler independentemente. «Dona Flor e seus Dois Maridos», escrito entre 1965 e 1966, é uma insólita história de amor, passada na cidade da Bahia, é um dos mais deliciosos romances de Jorge Amado.

O Pintor e a Cidade

Título: O Pintor e a Cidade
Texto: Inclui o ensaio "António Cruz, O Porto, substância da realidade", da autoria da escritora Agustina Bessa-Luís. 
Editor: O Oiro do Dia
Edição: Orientada graficamente por José da Cruz Santos, sobrinho do pintor.
Coleção: Indícios de Oiro
Edição: Primeira edição
Ano: 
Capa: Brochura
Género: Artes Plásticas
Nº páginas:  326 páginas
Dimensões: IN-8º
Estado: Bom

Preço:    35,00 €
Referência: 2602031

Sinopse: António Cruz (1907-1983), por alguns e com propriedade, considerado o "maior aguarelista português", imortalizou a mui nobre sempre leal e invicta cidade do Porto, através de uma obra marcada pela luz nevoenta e atmosférica. A referência a "20 aguarelas sobre a cidade" remete especificamente para esta obra "O Pintor e a Cidade: 20 Aguarelas sobre a Cidade do Porto", publicada em 1982 pela Editorial O Oiro do Dia.

Contexto Artístico: O Estilo: As aguarelas de Cruz são reconhecidas pelas suas "matizes escurecidas" e "paisagens enevoadas", captando a humidade e o mistério característicos do Porto sem necessidade de títulos descritivos.

Cinema: O título da obra coincide com o do documentário de Manoel de Oliveira (1956), que explorou precisamente a relação contemplativa entre o pintor e a sua cidade natal.



Douro de Cepas e Fragas

Título: Douro de Cepas e Fragas
Autor: Miguel Torga
Introdução de: A. Vieira D' Areia
Editor: Arcane 17
Fotografias: Georges Dussaud
Edição: Primeira edição
Ano: 1992 (Abril)
Capa: Brochura
Género: Filosofia, correspondência
Nº páginas:  74 páginas
Dimensões: 29 cm x 23 cm
Estado: Bom

Preço:    38,00 €
Referência: 2602030

Sinopse: O termo Douro de Cepas e Fragas refere-se principalmente a uma obra literária e artística que celebra a região vinhateira do Douro em Portugal, é um álbum que combina textos do escritor Miguel Torga com fotografias de Georges Dussaud. A obra descreve de forma poética a paisagem duriense, as suas gentes e o trabalho duro nas vinhas.
O livro foca-se no contraste entre a dureza das rochas ("fragas") e a persistência das videiras ("cepas"), elementos que definem a identidade do Alto Douro Vinhateiro.

O Douro de Gracinda Marques

Título: O Douro de Gracinda Marques
Descrição e textos: Luís Valente de Oliveira, A. M. Pires Cabral
Editor: Museu do Douro
Fotografia: Egídio Santos
Edição: Primeira edição
Ano: 2002 (Peso da Régua)
Capa: Capa dura com sobrecapa
Nº páginas:  96 páginas
Dimensões: 22,8 cm x 24,8 cm
Estado: Bom

Preço:    20,00 €
Referência: 2602029

Sinopse: "O Douro de Gracinda Marques" refere-se principalmente a uma obra e exposição artística da pintora e desenhadora Gracinda Marques, que explora a paisagem e a alma da região duriense através de várias décadas de trabalho.

A relação da artista com o Douro é central na sua carreira, tendo resultado em publicações e coleções editadas pelo Museu do Douro:

Livro "O Douro de Gracinda Marques" (2002): Uma edição comemorativa de homenagem a José António Rosas, com textos de Luís Valente de Oliveira e A. M. Pires Cabral, e fotografias de Egídio Santos.

"Por onde ando, o Douro de Gracinda Marques" (2019): Catálogo de exposição que sintetiza uma viagem de 40 anos pela região, com coordenação de Fernando Seara."

The Heart, its History, its Symbolism, its Iconography and its Diseases

Título: The Heart, its History, its Symbolism, its Iconography and its Diseases
Autor: N. Boyadjian
Editor: Esco Books
Edição: Primeira edição
Ano: 1985 (Janeiro)
Capa: capa dura, com sobrecapa com badanas
Idioma: Inglês
Nº páginas:  154 páginas
Dimensões: 25 cm x 30,5 cm
Estado: Bom

Preço:    40,00 €
Referência: 2602028

Sinopse: "

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Título: Panfleto
             (Poético)
Autor: António Cardoso
Editor: INALD - Instituto Nacional do Livro e do Disco (Luanda / RPA) - Plátano Editora
Edição: Primeira edição
Ano: 1979 (Abril)
Capa e arranjo gráfico: Gabinete Técnico da Plátano
Composição: Sotexto
Tiragem: 5000 exemplares
Encadernação: Brochura
Género: Poesia
Nº páginas:  43 páginas
Dimensões: 19,6 cm x 18,1 cm
Estado: Bom, tem uma assinatura de posse

Preço:   25,00 €
Referência: 2602027

Sinopse: 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Luis Seoane - Grafista

Título: Luis Seoane
             Grafista
Autores: Raquel Pelta, Josep Salvador, Enric Satué
Editor: Xunta de Galícia 
             Centro Galego de Arte Contemporánea
              20/XII/1999 a 27/II/2000
Coleção: Colecção Mensagem
Edição: 
Idiomas: Galego, Castelhano, Inglês
Ano: 
Capa: Brochura
Ilustrações: Profusamente ilustrado 
Nº páginas:  152 páginas
Dimensões: 21 cm x 23,5 cm
Estado: Bom

Preço:    28,00 €
Referência: 2602026

Sinopse: Esta publicação complementa a grande retrospetiva das pinturas de Luis Seoane, com curadoria de Valeriano Bozal para o CGAC, e a exposição paralela apresentada no IVAM sob a direção de Josep Salvador. Enquanto a exposição do CGAC se concentra na dimensão pictórica deste artista multifacetado, a exposição do IVAM centra-se num aspeto fundamental e menos explorado do seu legado: a sua contribuição para o design gráfico. 

O livro traça cronologicamente seu impacto nesse campo, começando com seu trabalho na Galícia durante a década de 1930, passando por sua prolífica atividade em Buenos Aires durante seu exílio e culminando com seu trabalho gráfico durante seu retorno ao país.

Salomé e João Baptista

Título: Salomé e João Baptista
Texto de: Eugénio de Andrade
Desenhos de: José Rodrigues
Editor: Árvore Cooperativa de Atividades Artísticas, CRL
Tiragem: 1500 exemplares
Edição: Primeira edição
Ano: 1989
Capa: Brochura
Género: Filosofia, correspondência
Nº páginas:  326 páginas
Dimensões: 24 cm x 30,5 cm
Estado: Bom

Preço:    35,00 €
Referência: 2602025

Sinopse: A obra Salomé e João Baptista é um trabalho conjunto que reúne desenhos do artista plástico José Rodrigues e texto do poeta Eugénio de Andrade.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

José Afonso (nasceu a 2 de agosto de 1929, em Aveiro, e faleceu a 23 de fevereiro de 1987, em Setúbal)



José Afonso (Discografia)

CANTIGAS DO MAIO

As músicas do LP Cantigas do Maio, de José Afonso, lançado em 1971, são as seguintes:

"Senhor Arcanjo"
"Cantigas do Maio"
"Milho Verde"
"Cantar Alentejano"
"Grândola, Vila Morena"
"Maio, Maduro Maio"
"Ronda das Mafarricas"
"Mulher da Erva"
"Coro da Primavera"




O LP de 1970 Traz Outro Amigo Também, do cantor e compositor José Afonso, reúne as músicas seguintes:

TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM

"Traz Outro Amigo Também"
"Maria Faia"
"Canto Moço"
"Epígrafe Para a Arte de Furtar"
"Moda do Entrudo"
"Os Castelos"
"O Que Faz Falta"
"Canção do Desterro"
"Qualquer Dia"
"Que Amor Não Me Engana"
"Cantiga da Liberdade"

O LP Enquanto Há Força, de José Afonso, editado em 1978, inclui as seguintes músicas:

ENQUANTO HÁ FORÇA

Enquanto Há Força
Há uma Música do Povo
Perdidos na Noite
Certos Companheiros
Paz, Pão, Liberdade
É Para Ti
Elegia
O País Vai de Carrinho
Amanhã
As respostas

O LP Cantares do Andarilho, de José Afonso (1968), inclui as seguintes músicas:

"Natal dos Simples"
"Balada do Sino"
"Resineiro Engraçado" (tema popular da Beira Alta)
"Canção de Embalar"
"O Cavaleiro e o Anjo"
"Saudadinha" (tema popular dos Açores)
"Tecto na Montanha"
"Endechas a Bárbara Escrava" (letra de Luís de Camões)
"Chamaram-me Cigano"
"Senhora do Almortão" (tema popular da Beira Alta)
"Vejam Bem"
"Cantares do Andarilho" (letra de António Quadros)

O LP Contos Velhos Rumos Novos, de José Afonso, foi lançado em 1969 e inclui as seguintes faixas:


Bailia
Oh! Que Calma Vai Caindo
S. Macaio
Qualquer Dia
Vai, Maria Vai
Deus Te Salve, Rosa
Já o Tempo se Acostuma
Cantar Alentejano
Romance do Caçador
Canção de Embalar
Que Amor Não Me Engana



O álbum de 1976 de José Afonso, Com as Minhas Tamanquinhas, apresenta as seguintes músicas: 

"Os Fantoches de Kissinger"
"Teresa Torga"
"Os Índios da Meia-Praia"
"O Homem da Gaita"
"O Dia da Unidade"
"Com as Minhas Tamanquinhas"
"Chula da Póvoa"
"Como se Faz um Canalha"
"Em Terras de Trás-os-Montes"
"Alípio de Freitas" 


As músicas do LP Fura Fura, de José Afonso, lançado em 1979, são as seguintes:

Quanto é Doce
As Sete Mulheres do Minho
O Cabral Fugiu para Espanha
De Quem Foi a Traição
Quem Diz Que Pela Rainha
Na Catedral de Lisboa
Achêgate a Mim
Maruxa (Cantar Galego)
Senhora que o Velho
De Sal de Linguagem Feita
De Não Saber o Que Me Espera
Fura Fura

Grande parte das canções foram compostas para as peças de teatro de dois importantes grupos portugueses da época, A Barraca e A Comuna – Teatro de Pesquisa. Os Trovante participaram na direção musical e nos arranjos de algumas faixas.

O álbum de José Afonso, Coro dos Tribunais, foi lançado em 1974 (embora algumas fontes indiquem 1975) e é composto por 11 faixas. A gravação foi realizada em Londres com arranjos de Fausto Bordalo Dias.

llista de músicas:

"Coro dos Tribunais" (introdução)
"O Homem Voltou"
"Ailé! Ailé!"
"Não Seremos Pais Incógnitos"
"O Que Faz Falta"
"Lá no Xepangara"
"Eu Marchava de Dia e de Noite"
"Enquanto Há Força"
"Só Ouve o Brado da Terra"
"A Presença das Formigas"
"Coro dos Tribunais" (final)

A Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) iniciou a classificação da obra fonográfica do músico, por considerar que representa “valor cultural de significado para a Nação”. De acordo com o anúncio então publicado em Diário da República, foi determinada a abertura do procedimento de classificação de um conjunto de 30 fonogramas da autoria do compositor e intérprete José Afonso, bem como de 18 cópias digitais de masters de produção de um conjunto de cassetes gravadas pelo autor e de um conjunto de entrevistas.

Preço:  20.00 € cada LP   - Discos de vinil novos
             10,00 € cada CD  - Cd's novos

Referência: 2510005