Título: O Mundo à Minha Procura
Autobiografia
Autor: Ruben A.
Editor: Parceria A. M. Pereira, Lda. (Lisboa)
Ano: 1966
Género: Autobiografia
Volume: II
Encadernação: Capa mole
Número de páginas: 258
Dimensões: 14,5 cm x 21 cm
Estado de conservação: Capa conforme fotografia, miolo limpo, tem uma assinatura de posse
Preço: 20,00 €
Referência: 2305030
Sinopse: Ruben Alfredo Andresen Leitão, licenciado em Ciências
Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, começou por leccionar no
ensino secundário, primeiro no Porto e depois em Lisboa, entre 1945 e 1947, ano
em que optou por um leitorado de Cultura Portuguesa no King's College
(Universidade de Londres), em cujas funções se manteve até 1951. Funcionário da
Embaixada do Brasil desde 1954, troca este cargo, em 1972, pelo de
Administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Dois anos mais tarde, assumiu
a Direcção-Geral dos Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura,
que manterá apenas alguns meses, dado ter aceite o convite para leccionar de
novo, agora como professor associado, na Universidade de Oxford. É em 1975, na
capital inglesa, que um enfarte de miocárdio lhe será fatal.
Como historiador, merecem especial destaque os seus
trabalhos consagrados aos arquivos de Windsor e sobretudo a D. Pedro V, que
Ruben A. designava como «o primeiro homem moderno que existiu em Portugal» e a
quem dedicou grande parte da sua investigação.
Dramaturgo, crítico literário e divulgador cultural de
reconhecido mérito, terá sido como ensaísta e como autor de textos
autobiográficos – quer sob a forma de diários (Páginas, 6 vols.), quer de
memórias (O Mundo à Minha Procura, 3 vols.) – que Ruben A. se deu a conhecer,
mas foi sobretudo como ficcionista que as suas ironia e irreverência,
associadas a uma prosa de vanguarda, a um arrojo estilístico e a uma
originalidade temática, marcaram definitivamente a escrita portuguesa a partir
dos anos 50.
A sua prosa diarística está, fiel ao título que lhes deu,
organizada em Páginas quase soltas, de observação e de comentários, em geral
não datados, escritas sobre um quotidiano feito de impressões de viagens ou
evocação de atmosferas, de acontecimentos reais ou imaginados; a autobiografia,
reunida nos três volumes a que chamou assumidamente O Mundo à Minha Procura,
foi pelo próprio autor definida como um «encontro adulto com a sua própria
personagem». À infância meio aristocrática, meio burguesa, marcada pela quinta
de Campo Alegre da avó Andresen, no Porto, sucederam os anos de entre as praias
da Granja e de Cascais, as cidades do Porto e de Lisboa e aquela Coimbra ainda
boémia dos anos 30/40; mas foi, inequivocamente, a ida para Inglaterra que
determinou a sua escrita lúcida e imparcial, ao provocar significativamente o
distanciamento em relação à realidade portuguesa e o encontro com «a terra mais
civilizada do mundo». A personalidade de Ruben A., que inspirou a Jacinto do
Prado Coelho o apodo de «Narciso Generoso», contribuiu indiscutivelmente para o
encanto que emana da obra, em que transparece o espírito inventivo, a
delicadeza de sentimentos e o entusiasmo na franqueza expressiva dos
sentimentos, mas onde não está omissa a mágoa que transporta pelos sucessivos desencontros
que lhe desenharam a sua vida de homem discreto e tolerante e de escritor
desassombrado e incisivo.
Da sua obra de ficção destacam-se A Torre de Barbela, nas
palavras de José-Augusto França «um dos mais importantes romances da língua
portuguesa moderna – obra barroca e louca, nas aparências da sua estrutura
tensa exigentíssima»; e, pela sua linguagem inovadora, Silêncio para Quatro,
«Um romance de uma grande maturidade. Maturidade de estilo: o comando seguro da
palavra incomandada. Maturidade do homem na desesperada procura do amor e da
liberdade, numa sociedade que abriu o ventre aos antigos relógios das coisas e
que, talvez sem dar por isso, assim contribuiu a horta desolada onde cada dia o
homem cultiva a sua solidão» (António Alçada Baptista).
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V,
Lisboa, 1998