Estado de conservação: Bom
Referência: 2304078
O poeta, artista plástico Joaquim Pessoa, autor de poemas como Lisboa, menina e moça e Amélia dos olhos doces, morreu esta segunda-feira, aos 75 anos.
Criticas: "É
conhecido e gosta de ser como libertino. Mas ele é mais libertário que
libertino. Literato, escritor, editor, panfletário, personagem, Luiz Pacheco é
genial, cruel, maldito e maldizente, crítico feroz, dono de um sarcasmo raro,
pai de oito filhos, frutos de variados amores."
Diário de
Notícias, DNA, 13/08/05
"É um
diário sem paralelo na literatura portuguesa. [...] com 80 amos feitos [Luiz
Pacheco continua] um homem vertical, que, a despeito da velhice e da decadência
física, não é habitado pela menor amargura, antes mantém inalterável o seu
proverbial humor mordaz e a sua constante auto-ironia."
Rodrigues da
Silva, JL
"O
Diário Remendado é um romance: o romance de uma vida vivida à beira da privação
e da perdição. O seu protagonista é um tal Luiz Pacheco, um corpo pensante
[...] É a narrativa fragmentária de cinco anos de sobrevivência de um corpo na
sua máxima exposição, desde a reconstrução ficcionada dos sonhos até à
encenação das suas múltiplas doenças, reais ou imaginadas, das estratégias mil
vezes refeitas da publicação literária à evocação sem limites nem elipses das
suas experiências sexuais [...]
António Mega
Ferreira, Visão
«queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma»
"Das cartas que Luiz Pacheco escreveu, durante 35 anos, ao
amigo e mecenas Laureano Barros — a partir do hospital, da prisão, de quartos
imundos, de casas de amigos ou quando ainda vivia, nas Caldas da Rainha, com
parte da sua «Tribo» — emerge o impetuoso crítico de rompe‑e‑rasga,
o escriba que combateu a PIDE, a censura e os ídolos
das letras, o ser humano em luta para se realizar na sua paixão pela literatura, o solitário
enraivecido pela dispersão dos bambinos, o homem que viveu
de muitos cravanços, o doente crónico com pavor da
morte… Em suma, o escritor que o país nos ofereceu no momento próprio."
«Escrevi as minhas cartas, com um prazer sem igual, na
maior, à‑vontade. Escrevi muito. Por necessidades da pedincha,
aguentar a sobrevivência, conversar com Amigos
distantes. Ou, se acantonado em locais de asilo forçado, invocar auxílios e
apoios no Lá Fora. Escrevi cartas e postais que me desunhei, centenas e
centenas. Há quem tenha espólios meus, já esteja a fazer negócio com isso. Ou a
preparar‑se. Acho ótimo. Dou-me os
parabéns.»
— Luiz Pacheco
“Luiz Pacheco, o «escritor maldito» revelado na sua
compulsão epistolar.
A correspondência com Laureano Barros durou de 1966 a 2001 e
deixa pistas únicas sobre as experiências, angústias e combates de uma das
vidas mais agitadas da literatura portuguesa. Das cartas de Luiz Pacheco
reunidas em "O Grilo na Varanda" — escritas a partir do hospital, da
prisão, de quartos imundos, de casas de amigos e até, durante um certo tempo,
de casa própria onde ainda vivia com parte da sua «Tribo» (a vasta família) —
emerge o impetuoso crítico de rompe-e-rasga, o artista inconformado, o escritor
em luta com a alta de condições para escrever uma obra mais consistente, o
solitário triste com a dispersão dos filhos, e o homem «enrascado» e doente
crónico a tentar encontrar suporte nos amigos e na pequena mitologia que se criou
à sua volta.
A primeira carta terá sido enviada por Laureano Barros em 1965. A ela seguiram-se 35 anos de relação epistolar, apresentada aqui, com edição de João Pedro George, em 62 cartas e 52 postais escritos por Luiz Pacheco ao amigo e mecenas de Ponte da Barca, leitor dedicado, matemático brilhante, colecionador bibliográfico e um dos responsáveis por se terem conservado muitos dos seus papéis. A correspondência com Laureano Barros durou de 1966 a 2001 e deixa pistas únicas sobre as experiências, angústias e combates de uma das vidas mais agitadas da literatura portuguesa.”
Biblioteca é uma autobiografia por interpostas leituras. Há
afinidades electivas, muitas, mas também encontros inesperados, no momento
justo. Algumas crónicas surgiram como homenagens ou obituários, nomeadamente a
Agustina ou a Herberto. Outras parodiam, através de colagens de textos, a
soberba dos sábios (em Camilo), a política como iluminismo e paranóia (nos
irmãos Strugatski) ou o espírito vingativo (em Baudelaire).
Do elogio das enciclopédias como «imagem do mundo» a uma
elegia sobre a precariedade dos livros, Biblioteca é, tal como Cinemateca
(2013), um catálogo de obsessões, cumplicidades, esperanças e desamparos.
— Miguel Esteves Cardoso
«Talvez não devesse ter regressado ao lugar onde fui feliz,
ou assim me lembro dele, com as ruas baixinhas, quase de brinquedo, as
multidões sempre pequenas, os vestígios da praia ainda no corpo ao fim do dia,
entre um gelado e a caixa dos bonecos. Quando regressei, de passagem, a cidade
estava irreconhecível, mais ampla e moderna, já não era minha, a Figueira da
Foz já só existe na minha lembrança ou imaginação, se é que há diferença entre
uma e outra. Reconhecia os sítios mas não reconhecia o espírito dos sítios,
indestrinçável de quem eu fui, da infância como eu me lembro dela, plácida e
segura e cheia de possibilidades. No meio dessa estranheza, entro na rua do
Casino e vejo aquela ancestral montra dos bonecos, aquela caixa de madeira e
metal, ainda na mesma entrada do mesmo salão de jogos, mas agora ela mesma uma
diversão arcaica, museológica, tão distante como a infância ou os anos setenta.
Ninguém lhe ligava nenhuma. Ninguém usava uma moeda que tivesse sobrado,
suponho que euros agora em vez de escudos. Os bonecos estavam parados, não
tocavam, nem dançavam, nem faziam a sua coreografia automática mas mágica. Meti
a mão ao bolso e peguei numa moeda. Quis pôr a infância em acção, musical e
cromada, ali à vista de todos e à minha, o circo ambulante e estático da minha
infância por interpostos bonecos. Hesitei. Desisti. Virei costas e pensei: Nada
de melancolia.»
— Pedro Mexia
Sinopse:
"Quando O Principezinho chegou às prateleiras, a 6 de abril
de 1943, a proposta pode ter parecido inócua. Assim o prometia a capa em tons
de branco, turquesa e amarelo, vincada por uma criança e os astros ao seu
redor, por baixo do título em letra cursiva.
Tratava-se de um livro infantil, sim, mas a história guardava uma maturidade diferente para o seu narrador: a capacidade de reflexão e de empatia que, por vezes, esperamos somente da idade adulta. Mas só um pequeno ser seria lúcido ao ponto de ver que aquele desenho não era um chapéu, mas sim um elefante devorado por uma jibóia…
Aguarelas e prosa eram ambas de Antoine de Saint-Exupéry,
autor e aviador que lutou pela Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial.
Alguns anos antes desse conflito, despenhou-se no deserto do Sara, entregue à
desidratação, às miragens e às alucinações — esses dias, dos quais saiu como
improvável sobrevivente, inspiraram o enredo d’O Principezinho, em que o
narrador se perde no mesmo deserto, e encontra um profundo oásis nas palavras
do protagonista. Palavras que são lições sobre amizade e amor, futilidade e
solidão, egoísmo e perda.
Há oitenta anos que crianças e adultos sustêm este sucesso à escala global. É hoje um dos livros mais vendidos do mundo, somando mais de 45 milhões de exemplares — traduzidos em mais de 500 línguas e dialetos, tendo-se tornado a obra mais traduzida à exceção da Bíblia.
“Só se vê bem com o coração”, escrevia Saint-Exupéry, “o essencial é invisível para os olhos” — mas é bem audível para os ouvidos."

Preço: 28,00 €
Referência: 2304061
“Nos últimos anos do colonialismo português, Luanda era uma
cidade irresistível. A necessidade de responder ao esforço da Guerra Colonial e
as influências anglo-saxónicas que chegavam da África do Sul inundaram a
capital da Província de uma modernidade que estava sempre ao virar da esquina.
Prepare-se para uma viagem ao passado que o fará recordar cada recanto, costume
e paladar de uma Luanda que já só existe nas memórias felizes de quem lá viveu.”
«Luanda não estava a morrer da forma que as nossas cidades
polacas morreram na última guerra. Não havia ataques aéreos, não havia
‘pacificação’, não havia destruição de bairro após bairro. Não havia cemitérios
nas ruas e nas praças. Não me lembro de um único incêndio. A cidade estava a
morrer como morre um oásis quando o poço seca: esvaziou‑se,
prostrou‑se inanimada, caiu no esquecimento. Mas a agonia viria
mais tarde; naquela altura, havia uma actividade febril por todo o lado. Toda a
gente estava cheia de pressa, toda a gente se ia embora. Toda a gente tentava
apanhar o avião seguinte para a Europa, para a América, para qualquer lado.»
— Ryszard Kapuscinski
«Mais Um Dia de Vida, publicado originalmente na Polónia em
1976, é o relato de viagem por uma cidade que apenas existiu três meses: a
Luanda entre o êxodo português e a proclamação da independência pelo MPLA. É,
por isso, um documento único. Talvez seja também bom jornalismo. É, sem dúvida,
grande literatura.»
— Pedro Rosa Mendes
— Pedro Mexia
Entre 1979 e
1981, Werner Herzog passou longas temporadas na Amazónia, devido ao grandioso
projecto cinematográfico de Fitzcarraldo: contar a vida do barão da borracha
Carlos Fermín Fitzcarrald, que ousara transportar um navio através de um istmo
na Amazónia.
A viagem
descrita neste livro assume diferentes formas: desde a deslocação física por
geografias distantes — Estados Unidos, Peru, Brasil, Alemanha — recorrendo a
transportes diversos, do navio de Fitzcarraldo a aviões apinhados, por entre
aterragens loucas, paisagens sublimes e vistas do topo do mundo, da mota por
estradas esburacadas à jangada por rápidos furiosos, até à imagem de um avião a
despenhar‑se contra os arranha‑céus
nova‑iorquinos.
Entre o onírico, o inútil
e o impossível, vemos Herzog e a humanidade
sucumbirem à natureza agressiva da selva.”
Os editores não gostaram. Não havia trama nem crime. Era como mostrar o álbum de férias a estranhos. O que é que os leitores dela tinham a ver com aquilo?
Quase tão lida quanto a Bíblia, Mrs Mallowan não puxou dos galões. Disse que o livro era ‘uma frivolidade’, como se falasse de um par de sapatos.
Foi um sucesso, claro, e mais de sessenta anos depois continua em edição de bolso e politicamente incorrecto – vários turcos e pelo menos um árabe ‘sub‑humano’ saem daqui para a glória. Mas de ninguém a autora ri como de si própria, ansiosa, voluntariosa e volumosa.»
— Alexandra Lucas Coelho
«Esta crónica inconsequente foi iniciada antes da guerra. Depois foi posta de lado. Mas agora, após quatro anos de guerra, dei por mim a pensar cada vez mais naqueles dias passados na Síria, e por fim senti‑me impelida a tirar os meus apontamentos e os meus toscos diários para fora e a completar aquilo que começara e pusera de lado. Pois parece‑me que é bom recordar que esses dias e esses lugares existiram, e que neste preciso instante a minha pequena colina de calêndulas está em flor, e que os velhos de barbas brancas que se arrastam atrás dos burros talvez nem saibam que existe uma guerra.»
— Agatha Christie
Sinopse: Obra com a história, a filosofia e ciência associada ao jogo de xadrez.
Nota: Também pode ser visualizado outro exemplar do livro encadernado a percalina, Refª 2010038 . Preço: 45,00 €
Preço: 20,00 €
Referência: 2304050
Sinopse:
Título: Rainer Maria Rilke