24/06/2026

OS MORTOS CHEGAM MAIS TARDE - Freitas (Rogério)

Título: OS MORTOS CHEGAM MAIS TARDE

Autor: Rogério Freitas

Editora:
Publicações Europa-América
Edição: 1ª edição
Capa: Estúdios PEA
Coleção: Os livros das Três Abelhas
Número: 92
Ano de Edição: 1968
Género: Teatro
Idioma: Português
Nº de Páginas: 192-IV páginas
Encadernação: Capa mole, brochura
Dimensões: 11,5 x 18 cm
Estado de Conservação: Bom
Notas extra:
Referência: 2606020
Sinopse: "Os Mortos Chegam Mais Tarde" é uma peça de teatro em dois atos escrita pelo pintor e escritor português Rogério de Freitas, publicada originalmente em 1968 pelas Publicações Europa-América. É uma reflexão profunda e existencialista sobre o destino, a vida, a morte e a memória.
A obra integrou a icónica coleção "Livros das Três Abelhas" (nº 92).
Por conter teor crítico ou político desconfortável para o regime ditatorial da época, o livro chegou a ser alvo de autos de apreensão pela PIDE/DGS em março de 1968, em diversas livrarias.

O contexto histórico e a estrutura da obra revelam o impacto que este livro teve no panorama literário português.

Os Autos de Apreensão e a Censura (PIDE/DGS)

O livro "Os Mortos Chegam Mais Tarde" foi alvo de uma forte e imediata vaga de repressão após o seu lançamento em 1968. De acordo com os documentos históricos do arquivo da Fundação Mário Soares / Casa Comum, a obra incomodou profundamente o regime salazarista.

Numa nota manuscrita da autoria de um dos censores da época, o livro era descrito de forma implacável:

“Meu caro Nazaré: Saiu há dois dias, editado pela Europa-América, o livro ‘Os Mortos Chegam Mais Tarde’, de Rogério de Freitas, que é a coisa mais infame e mais anti-militarista que até hoje se publicou em Portugal. É de mandar já apreendê-lo e se fosse possível meter o malandro na cadeia.”

Esta denúncia gerou uma operação coordenada pelas forças de segurança da ditadura no início de março de 1968, com buscas e apreensões consecutivas por todo o país:

2 de março de 1968: Apreensão de dois exemplares na Livraria Nacional (Covilhã).

5 de março de 1968: Apreensão de dois exemplares na Livraria Globo (Braga) por agentes da PSP.

6 de março de 1968: Apreensão de seis exemplares na Livraria Portugal e mais dois exemplares na Livraria Aillaud & Lello (ambas em Lisboa).

26 de abril de 1968: A ordem de proibição chegou ao ultramar, com a PIDE a confiscar exemplares na Livraria Lello & Companhia em Nova Lisboa (atual Huambo, Angola).

Por esta razão, o livro consta formalmente na lista oficial de Livros Censurados em Portugal antes da Revolução de 25 de Abril de 1974.

A Estrutura da Peça (Dois Atos)

Diferente da clássica estrutura teatral de três atos (Apresentação, Desenvolvimento e Desfecho), Rogério de Freitas — influenciado pela sua veia neorrealista e existencialista — optou por dividir a narrativa estritamente em dois atos.

Ato I: Funciona como a introdução do espaço tenso e a exposição do conflito ideológico. O texto foca-se na preparação ou antecipação de um acontecimento crítico ligado à guerra ou à opressão militarista.

Ato II: Concentra a complicação da intriga, o clímax e a resolução (frequentemente trágica). É onde se adensa a crítica social e se processa a reflexão existencial em torno da memória dos que partiram.
Do autor: Rogério de Freitas (1910–2001), intelectual que se destacou tanto na literatura como nas artes plásticas.

Preço: 15,00 €

Livraria Alfarrabista Canto III

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